Operação em Mossul completa 100 dias; 750 mil em risco na região
BR

24 janeiro 2017

Coordenadora humanitária da ONU para o Iraque lembra que combates devem começar na área oeste da cidade na próxima semana; já na parte leste, 180 mil saíram de suas casas e com apoio do Unicef, crianças retornam à escola.

Leda Letra, da ONU News em Nova Iorque.

As operações militares em Mossul, no Iraque, estão completando 100 dias. Os combates para recuperar a cidade do controle do grupo terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante, Isil, começaram na zona leste.

Segundo a coordenadora humanitária da ONU para o Iraque, 180 mil civis abandonaram suas casas, enquanto mais de 550 mil optaram por ficar no leste de Mossul.

Novos combates

Mas Lise Grande destaca que a preocupação agora é com 750 mil civis que estão deixando a zona oeste da cidade, porque os combates devem começar na área nas próximas semanas.

A representante da ONU espera que todo o possível seja feito para proteger essas pessoas que vão sair da área oeste, já que segundo ela, “suas vidas correm risco extremo”.

Durante os últimos 100 dias, agências humanitárias conseguiram entregar comida para 600 mil iraquianos; água potável e serviços de saneamento para 745 mil e atendimento médico para 370 mil.

Acesso

Cerca de 85% das pessoas deslocadas de Mossul estão abrigadas em 13 acampamentos construídos pelo governo iraquiano e parceiros. Outros sete estão sob construção.

De acordo com Lise Grande, os relatos que surgem sobre a zona oeste são “perturbadores” porque as agências humanitárias não conseguem acessar várias áreas e a situação está piorando. O preço dos alimentos e dos mantimentos está subindo e muitos bairros já estão sem água e sem luz.

A coordenadora humanitária ressalta que “o mundo está focando na campanha militar no Iraque, mas quando essas ações acabarem, a crise humanitária continuará”.

Vítimas

O Escritório do Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos tem recebido um grande número de denúncias sobre civis assassinados pelo Isil em Mossul, vítimas de explosivos improvisados ou de ataques suicidas.

Muitas pessoas são mortas quanto tentam fugir da cidade. No dia 13 de janeiro, uma mulher e seu filho foram mortos por integrantes do Isil quando deixavam sua casa no bairro de Jazair, no leste de Mossul.

O Escritório de Direitos Humanos também está muito preocupado com um vídeo que mostra membros das Forças de Segurança Iraquianas espancando quatro suspeitos de terrorismo e matando três deles.

Escolas

O alto comissário, Zeid Al Hussein, lembra a todos os lados em conflito da obrigação que têm de respeitar os “princípios da humanidade, da distinção, da proporção e da precaução durante operações militares”.

Já o Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, está destacando nesta terça-feira a reabertura de várias escolas no leste de Mossul. Com o apoio da agência da ONU, 16 mil crianças devem voltar às salas de aula.

O Unicef explica que algumas escolas ficaram fechadas por dois anos e as meninas foram proibidas de ter acesso à educação. O representante da agência no Iraque, Peter Hawkins, comemora que as crianças estejam voltando para a escola, sendo que há algumas semanas, a violência ainda era realidade nos bairros do leste de Mossul.

Mais 40 escolas devem abrir nas próximas semanas, recebendo cerca de 40 mil estudantes.

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