Primeiro-ministro de Cabo Verde quer zerar casos de abuso sexuais a menores

17 janeiro 2017

Em entrevista à ONU News, José Ulisses Correia e Silva reitera que é preciso defender valor da dignidade humana; estudo em parceria com Unicef revela que casos ocorrem em todas as classes sociais, lugares, faixas etárias e níveis académicos.

Eleutério Guevane, da ONU News em Nova Iorque.

O primeiro-ministro de Cabo Verde, José Ulisses Correia e Silva, afirmou à ONU News que é preciso aumentar a consciência pública para acabar com a violência e o abuso sexual de crianças e adolescentes no arquipélago.

“Não é permitido porque é crime. Segundo não é aceitável porque a sociedade rejeita. Terceiro, porque nós temos um valor a proteger: o valor da dignidade humana. Este trabalho tem que ser feito porque nós somos um país pequeno, com uma uma população relativamente jovem e moldável em termos de comportamentos e atitudes.”

Crime

O chefe do governo cabo-verdiano falou em exclusivo da Cidade da Praia sobre a nova estratégia do país para combater o tipo de crime nos próximos três anos. O plano tem o apoio do Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef.

Um estudo que envolveu as duas partes menciona que as denúncias na capital cabo-verdiana estão quase quatro vezes mais altas em relação à década de 2005 a 2014.

Demora

O primeiro-ministro cabo-verdiano disse que deve ser feito trabalho duro para combater a prática. De acordo com um relatório do governo, entre os fatores que estimulam o tipo de abuso estão a demora na justiça e a baixa capacidade de finalizar processos no julgamento de crimes sexuais em Cabo Verde.

“Este trabalho tem que ser feito porque nós somos um país pequeno, com uma uma população relativamente jovem e moldável em termos de comportamentos e atitudes. Temos que fazer todo o trabalho a nível de sensibilização, da comunicação social, das organizações, das escolas e das igrejas no sentido de criar esta ideia e esta valoração fortemente negativa em relação a este tipo de prática. Quando o abuso sexual acontece no seio da família as situações são muito mais complexas porque muitas vezes temos crimes e abusos escondidos e não denunciados. Há que fazer todo esse trabalho de forma a que possamos ter menos casos possíveis e de preferência ter zero casos relativamente a este tipo de situações.”

Desigualdade

De acordo com um estudo apoiado pelo Unicef o tipo de crime ocorre em todas as classes sociais, lugares, faixas etárias e níveis académicos em Cabo Verde.

O início precoce da vida sexual e sem o uso de preservativos em mais de 40% dos casos agrava o facto de mais de 95% das vítimas serem meninas. Metade são menores de 12 anos.

O problema é agravado pela cultura de masculinidade patriarcal, a desvalorização do sexo feminino, o poder dos adultos, desigualdade social, o uso do álcool e a impunidade.

As crianças e os adolescentes vão estar envolvidos no novo plano para combater a violência e o abuso sexual até 2019.

 

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