Consumo de tabaco cresce em África, alerta OMS

12 janeiro 2017

Situação no continente é oposta à tendência mundial já que consumo global está a cair; em entrevista à ONU News, economista da OMS falou sobre questão da propaganda.

Laura Gelbert, da ONU News em Nova Iorque.*

O aumento do uso do tabaco em África pode levar a uma “bomba relógio” de problemas relacionados à saúde, de acordo com a Organização Mundial da Saúde, OMS.

Nesta semana, a agência da ONU publicou o relatório a mostrar que enquanto o consumo global de tabaco está caindo, o oposto está a decorrer em África.

Economia e propaganda

Segundo o economista da OMS, Evan Blecher, as “empresas multinacionais de tabaco estão começando a visar mais consumidores africanos". Em entrevista à ONU News, de Genebra, Blecher falou sobre o consumo do produto em países em desenvolvimento, especialmente de renda baixa.

O especialista afirmou que com a urbanização e aumento da renda as pessoas estão começando a fumar mais. De acordo com o economista da OMS, parte deste fenómeno está ligado à propaganda, marketing e patrocínio de empresas de tabaco.

Blecher mencionou que em muitos países africanos ainda não há políticas que limitem essas ações.

“Bomba-relógio”

O economista falou sobre uma possível “bomba-relógio” em relação a problemas de saúde no futuro.

Ele citou sucessos do continente no combate a algumas doenças e afirmou que a população africana está “mais saudável do que nunca”. No entanto, ele alertou que com o aumento da expectativa de vida e exposição mais longa ao tabaco, há uma probabilidade maior que as pessoas contraiam doenças relacionadas ao produto.

Blecher mencionou ainda os serviços de saúde que já estão “sobrecarregados com doenças infeciosas como HIV/Sida, tuberculose e malária não estão em posição de poder tratar” das enfermidades relacionadas ao tabaco.

No entanto, o economista afirmou que existem ferramentas e políticas já disponíveis para serem em África para evitar uma epidemia no uso do tabaco e que medidas já estão sendo tomadas.

Segundo o especialista, os índices de tabagismo no continente “ainda são baixos o suficiente” para que a situação seja evitada de intervenções bem-sucedidas forem implementadas imediatamente.

*Com reportagem de Daniel Dickinson.

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