Mais de 70% das famílias sírias no Líbano estão abaixo da linha de pobreza
BR

6 janeiro 2017

Levantamento de agências da ONU como Acnur, Unicef e PMA diz que refugiados sírios no país vizinho precisam de ajuda; ONU News ouviu estudante brasileira, no Vale no Becá, que conhece de perto a situação de alguns sírios e diz que somente a paz pode acabar com o sofrimento.

Laura Gelbert, da ONU News em Nova Iorque.

Refugiados sírios no Líbano permanecem vulneráveis após muitos anos vivendo no país. Esta é a conclusão de um estudo da Agência da ONU para Refugiados, Acnur, do Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, e do Programa Mundial de Alimentos, PMA.

Pesquisas realizadas pelas agências da ONU em domicílios revelaram que a situação econômica dos refugiados sírios no Líbano é, no melhor dos cenários, tão grave como no último ano, e pode até estar piorando. O número famílias vivendo abaixo da linha de pobreza permanece em índice alarmante de 71%.

Desafios

A estudante brasileira e libanesa Sarah Abdouni está no Vale do Becá, na fronteira com a Síria, e, por telefone, falou com a ONU News.

“Aqui no Líbano a população síria já ultrapassa a população libanesa, então, é muita gente. A chegada ao Líbano não é muito difícil para eles porque a fronteira está aberta e é perto, então, eles não tem muita dificuldade para entrar aqui, mas entrando aqui que começam as dificuldades porque eles vêm para começar do zero, eles não têm casa nem dinheiro aqui nem nada.”

Segundo o estudo anual, as famílias esgotaram seus limitados recursos e estão se adaptando para sobreviver com o mínimo. A pesquisa mostrou que mais de um terço dos refugiados estão em situação de insegurança alimentar de moderada a severa, um aumento de 12% em comparação a 2015.

Linha de pobreza

No entanto, a entrada de assistência foi capaz de deter o acentuado declínio à pobreza visto entre 2014 e 2015. Até novembro de 2016, US$ 1 bilhão foi recebido, 50% de uma apelo conjunto da ONU, governo e agências para o país.

O diretor do Acnur para o Oriente Médio e Norte da África, Amin Awad, alertou que os refugiados sírios no Líbano “mal estão conseguindo lidar” com a situação e “permanecem extremamente vulneráveis e dependentes de ajuda da comunidade internacional”.

Sonho de paz

Na conversa com a ONU News, a estudante brasileira e libanesa falou da dificuldade da situação e fez um apelo.

“A gente apela por paz, a gente não quer mais isso, a gente não aguenta mais ver tanta criança na rua, tanta gente morrendo, o que a gente mais quer é paz, né, é o sonho de todo mundo aqui.”

O Líbano é o segundo país que mais abriga refugiados sírios, atrás da Turquia, com mais de 1 milhão. Eles vivem em ambientes urbanos e rurais, em mais de 2 mil comunidades e localidades.

Dados para o estudo foram coletados entre maio e junho do ano passado. Equipes de pesquisa visitaram 4,5 mil famílias sírias refugiadas escolhidas de forma aleatória em 26 distritos.

Segundo o Acnur, o relatório completo detalha uma séria de recomendações para informar futuras ações humanitárias no Líbano.

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