Pinheiro alerta que 2016 foi um desastre em relação aos direitos humanos
BR

28 dezembro 2016

Presidente da Comissão de Inquérito sobre a Síria cita ainda violações dos princípios do direito humanitário e o agravamento da militarização da guerra; Paulo Sérgio Pinheiro disse que “nenhum Estado-membro da ONU é inocente neste conflito”.

Edgard Júnior, da ONU News em Nova York.

O presidente da Comissão de Inquérito sobre a Síria, Paulo Sérgio Pinheiro, afirmou que “2016 foi um desastre em relação ao desrespeito dos direitos humanos, dos princípios do direito humanitário e do agravamento da militarização da guerra na Síria”.

De São Paulo, em entrevista à ONU News, Pinheiro afirmou que a comissão tenta ter uma visão global do conflito.

“Ninguém é inocente”

“Ninguém é inocente, não há nenhum Estado-membro da ONU inocente neste conflito. Muitas vezes se deixa de lado de que os grupos armados estão ligados a um sucursal da Al-Qaeda e não tem nada de moderados. Não existem grupos armados moderados. O que existia quando começou a rebelião em 2011 contra o autoritarismo do governo, essas pessoas estão ou mortas ou estão presas ou estão no exterior. Não há atores moderados atuando na guerra.”

Apesar disso, o chefe da Comissão de Inquérito afirmou que dentro da Síria há participantes políticos da oposição perfeitamente respeitáveis. Segundo ele, “gente da categoria de (Nelson) Mandela, que ficou 27 anos preso”.

Para Paulo Pinheiro, é importante não se ver somente um lado do conflito com a participação da Rússia como aliada do governo sírio, mas também o envolvimento dos grupos terroristas que bombardeiam áreas civis.

Esperança

Ele falou também sobre o próximo secretário-geral da ONU, António Guterres, que assume o cargo em 1º de janeiro.

“Eu acho que o ponto maior da esperança é a capacidade do novo secretário-geral de tomar novas iniciativas que encaminhe a situação da Síria para a negociação. Ele mesmo disse que não há solução militar para a situação na Síria, a única solução militar é a solução das negociações.”

Pinheiro disse ainda que a Comissão vai entregar, em janeiro, um relatório final sobre a situação em Alepo. Sem dar detalhes sobre o documento, o chefe da Comissão de Inquérito afirmou que “quem pagou o final dessa crise de Alepo foi a população civil”.

 

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