Acnur e OIM alertam que mortes no Mediterrâneo batem recorde em 2016
BR

23 dezembro 2016

As agências afirmaram que pelo menos 5 mil pessoas morreram em travessias na região; cerca de 100 pessoas morreram em dois naufrágios registrados nesta quinta-feira; Guarda Costeira italiana conseguiu resgatar 143 passageiros.

Edgard Júnior, da ONU News em Nova York.

A Agência da ONU para Refugiados, Acnur, e a Organização Internacional para Migrações, OIM, alertaram que, até agora, as mortes no Mar Mediterrâneo este ano bateram recorde, chegando a 5 mil.

Aproximadamente 360 mil refugiados e migrantes conseguiram fazer a travessia para a Europa este ano, bem menos do que em 2015, quando esse número passou de 1 milhão. Já o número de mortes no ano passado foi bem menor do que agora, pouco menos de 4 mil.

Barcos superlotados

Segundo a ONU, dois naufrágios registrados nesta quinta-feira causaram a morte de pelo menos 100 pessoas que estavam em dois barcos superlotados que faziam a travessia pela região.

Falando a jornalistas em Genebra, o porta-voz da OIM, Joel Millman, disse que não é difícil encontrar embarcações “abarrotadas”.

Millman afirmou que mais de 100 pessoas estavam em cada barco inflável, que tem capacidade para transportar até 30 pessoas.

Ele explicou que os migrantes e refugiados cruzam o “mar aberto”, é inverno e quando o barco virou, “as pessoas não conseguem sobreviver muito tempo nessas condições climáticas”.

A guarda costeira italiana conseguiu resgatar 143 pessoas que estavam a bordo das duas embarcações. As autoridades disseram que o grupo partiu de algum ponto do norte da África em direção à Europa.

No total, nesta quinta-feira, as autoridades italianas realizaram quatro operações de resgate envolvendo outras embarcações e conseguiram salvar 264 pessoas.

Razões

Segundo o Acnur, a guarda costeira da Itália salvou ainda 175 refugiados e migrantes que estavam em um outro barco inflável e um barco de madeira.

O porta-voz da agência da ONU, Willian Spindler, afirmou que 14 pessoas morreram diariamente em circunstâncias parecidas no Mediterrâneo em 2016, o número mais alto já registrado até agora.

Spindler afirmou que entre as razões para o aumento de óbitos nas travessias pelo Mediterrâneo estão a péssima qualidade das embarcações utilizadas pelos contrabandistas e a estratégia de usar vários barcos ao mesmo tempo, o que dificulta o trabalho de resgate no caso de acidentes.

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