Ban: “maioria dos conflitos foi causada por líderes e não pelo povo”
BR

22 dezembro 2016

Em sua entrevista de despedida como secretário-geral da ONU ele falou de conquistas e objetivos que não foram alcançados; na conversa, Ban falou também sobre legado e conselho para seu sucessor, António Guterres.

Edgard Júnior, da ONU News em Nova York.

Em sua última entrevista à ONU News como secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon afirmou que nos 10 anos em que chefiou a organização viu que “a maioria dos conflitos globais foi causada pelos líderes e não pelo povo”.

Segundo Ban, “os líderes mundiais não mostraram compromisso aos objetivos e ideais da Carta das Nações Unidas e aos direitos humanos básicos”. Ele diz que isso “explica porquê as pessoas estavam tão furiosas e frustradas e acabaram se levantando contra a liderança” dos países.

Compaixão

Para o secretário-geral, “se todos esses líderes tivessem mostrado mais solidariedade, empatia e compaixão, teríamos menos conflitos atualmente”.

Ele afirmou que foi “um privilégio servir à ONU” e que apesar de ter devotado “tempo, paixão e energia, deixará muitas coisas por fazer”. Ban afirmou que qualquer sucesso que tenha conquistado durante essa década foi através de um esforço conjunto.

Em relação ao futuro, Ban disse que “tem a mente aberta” e explicou que como secretário-geral “aprendeu muitas lições e tem algumas visões e conhecimento”.

Ele declarou que não vai poupar esforços para fazer alguma coisa correta pelo seu país, e também além da Coreia da Sul.

Agenda 2030

O chefe da ONU explicou que o secretário-geral não pode fazer tudo sozinho. Nenhum país ou pessoa pode fazer algo sem ajuda. Ban citou, por exemplo, o Acordo de Paris sobre o Clima e a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.

Segundo ele, essas duas iniciativas muito importantes são fruto do trabalho comum da organização e dos Estados-membros das Nações Unidas.

Ao falar sobre o legado de seu mandato, Ban afirmou que “os historiadores, os Estados-membros e outros é que vão avaliar e analisar seu trabalho”.

António Guterres

O secretário-geral encerrou a entrevista respondendo qual é o conselho que dará a seu sucessor, António Guterres, que assume a chefia da ONU em 1º de janeiro de 2017.

Ban disse que além da paixão para realizar o que for necessário, é preciso ter compaixão pelo próximo. Ele afirmou que Guterres é um homem íntegro e um homem de compaixão.

Ban declarou que António Guterres já demonstrou essa compaixão durante seus 10 anos como alto comissário para Refugiados e disse estar “muito grato pelos Estados-membros terem escolhido uma pessoa excelente para sucede-lo”.

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