Relatores pedem diálogo após protestos que provocaram mortes nos Camarões

21 dezembro 2016

Polícia teria usado balas reais contra manifestantes de minoria anglófona nas cidades de Bamenda e Buea; violência começou após funcionários públicos francófonos terem sido nomeados para regiões onde a maioria fala inglês.

Eleutério Guevane, da ONU News em Nova Iorque.

Especialistas das Nações Unidas pediram esta quarta-feira ao governo dos Camarões que exerça contenção e inicie o diálogo na sequência do “aumento de ataques a manifestantes pacíficos”.

Em nota, os relatores sobre a liberdade de reunião pacífica e de expressão Maina Kiai, e sobre as questões de minorias, Rita Izsak-Ndiaye, disseram estar alarmados com ação da polícia camaronesa na área de Bamenda.

Protestos 

A 8 de dezembro, pelo menos quatro pessoas morreram no local e várias outras “ficaram feridas, foram detidas arbitrariamente ou alegadamente torturadas” após protestos de um grupo da minoria anglófona que diz ter sido discriminado.

Nesses eventos, os membros das forças policiais teriam usado balas reais para dispersar a multidão. A 28 de novembro já tinham decorrido manifestações violentas na cidade de Buea.

O início dos protestos seguiu-se à nomeação de funcionários públicos francófonos para regiões onde a maioria fala inglês. As manifestações são lideradas por associações de advogados regionais e sindicatos de professores.

Violência

Maina Kiai e Rita Izsak-Ndiaye disseram estar “profundamente preocupados” com o agravamento da violência no noroeste e no sudoeste do país, que inclui o uso da força.

Para Kiai, manifestações e protestos nas sociedades democráticas “são fundamentais para aumentar a conscientização sobre os direitos humanos e as preocupações políticas e sociais, incluindo questões das minorias”.

O perito destaca que “os protestos pacíficos desempenham um papel essencial para ampliar vozes dos marginalizados que são uma alternativa aos interesses políticos estabelecidos”.

Rita Izsak-Ndiaye visitou os Camarões em 2013 onde teve contactos com a realidade dos grupos locais. Ela pediu “uma resposta do governo às preocupações dos anglófonos sobre os seus direitos linguísticos e que esta seja aplicada de forma a integrar a política do Estado de bilinguismo.”

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