Comissão alerta para iminente “guerra étnica no Sudão do Sul”

14 dezembro 2016

Chefe de investigadores fala de existência de processo contínuo de limpeza étnica; chefe de direitos humanos cita alto potencial de confrontos; assessor especial para a Prevenção do Genocídio sugere embargo de armas ao país.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

O Sudão do Sul está à beira de uma “guerra étnica devastadora que poderia desestabilizar toda a região”, de acordo com a chefe da Comissão dos Direitos humanos para o país.

Falando esta quarta-feira no Conselho de Direitos Humanos, em Genebra, Yasmin Sooka disse que em vários locais visitados as pessoas disseram que a mais nova nação do mundo iria diluir-se para uma situação igual a do Ruanda.

Dois anos

A investigadora citou uma visita a refugiados sul-sudaneses no campo de Gambella, na Etiópia, que relataram quatro casos de estupro de crianças de dois anos de idade ou menos. Pessoal humanitário também relatou casos de escravidão sexual.

Na sessão especial, o alto comissário da ONU para os Direitos Humanos alertou que com o início da estação seca o país está à beira de um desastre.

Para Zeid Al Hussein, “com as condições meteorológicas os grupos armados, milícias e bandidos podem se deslocar mais rápido no terreno e há um alto potencial de confrontos entre o governo e os combatentes em várias frentes.”

Cenários

Zeid declarou que as ameaças de violência reduziram quando líderes locais intervieram para acabar com os discursos de ódio e disse que “ainda pode haver espaço para alguma ação que evite que o país volte para o pior dos cenários”.

O apelo à União Africana é que aja rapidamente para a “criação de um tribunal onde a responsabilidade de comando deve estar concentrada nas atrocidades.”

De acordo com as Nações Unidas dezenas de milhares de pessoas morreram no conflito do Sudão do Sul e mais de um quarto da população abandonou as suas casas para outras áreas incluindo os que deixaram o país.

Guerra

Sooka disse que atrocidades em massa acontecem num cenário de instabilidade económica, onde há guerra e num ambiente em que o “outro” é demonizado. Ela lembrou que o Sudão do Sul tem a maior taxa de inflação do mundo: 837% em outubro.

Na recente visita dos investigadores, Sooka disse que estes confrontaram-se com indícios de que “um processo contínuo de limpeza étnica já está em andamento em algumas partes do país.”

Sooka destacou que prevê-se que os combates venham a começar a sério agora com chegada a estação seca no Sudão do Sul.

O conselheiro especial para a Prevenção do Genocídio disse que um embargo de armas ao Sudão do Sul “pode ter grande impacto”. Adama Adieng disse não ver motivos válidos para a demora.

O assessor sugeriu igualmente que a diáspora sul-sudanesa contribua para acabar com os discursos de ódio e com a violência no seu país.

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