Conflito ameaça décadas de progresso para crianças em África e Médio Oriente

13 dezembro 2016

Avaliação é do Fundo das Nações Unidas para Infância, Unicef; agência da ONU completou 70 anos no domingo.

Laura Gelbert, da Rádio ONU em Nova Iorque.

Apesar dos avanços feitos por países do norte de África e do Médio Oriente na proteção do bem-estar e dos direitos das crianças nas últimas sete décadas, conflitos ameaçam reverter esses ganhos para 157 milhões de menores na região.

Esta é a avaliação do diretor regional do Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, para o Médio Oriente e Norte da África, Geert Cappelaere,  que destaca que o mandato da agência da ONU de proteger menores é “mais crucial do que nunca”. O órgão completou 70 anos no último domingo, 11 de dezembro.

Direitos

Para Cappelaere, o trabalho do Unicef pelas crianças nas últimas sete décadas é “fonte de grande orgulho”, a ressaltar que “todos os países da região ratificaram a Convenção sobre os Direitos das Crianças”, a mortalidade infantil de menores de cinco anos baixou e os índices de matrícula escolar aumentaram.

O diretor, no entanto, destacou os riscos apresentados por conflitos. De acordo com o Unicef, quase 20% dos menores no Médio Oriente e Norte de África precisam de assistência humanitária imediata. O conflito violento, a pobreza e o deslocamento criam condições difíceis para 29 milhões de meninos e meninas.

Síria, Iémen e Iraque

Estimativas são de que 8,4 milhões de crianças sírias precisem de assistência imediata para abrigo, comida e água, em comparação a 500 mil em 2012. Cerca de meio milhão de menores vivem em áreas sitiadas no país e há dois anos recebem pouca ou nenhuma ajuda.

Quase 10 milhões de crianças no Iémen foram afetadas pelo conflito e estão a viver em condições críticas. Quase 400 mil estão em risco de desnutrição aguda grave.

O Unicef alertou ainda que a “brutalidade extrema contra crianças é abundante no Iraque”. De acordo com relatos, aproximadamente 400 violações de direitos de crianças foram registadas desde janeiro deste ano.

A operação militar em andamento em Mossul já deslocou cerca de 74 mil pessoas, quase metade delas crianças.

Alerta urgente

A agência afirmou ainda que no Sudão e na Líbia, assim como na Palestina, o conflito forçou milhões de crianças a deixar as suas casas e escolas e barrou o acesso a serviços básicos.

Para Cappelaere, estas estatísticas “sombrias” no 70º aniversário da agência devem ser um alerta urgente ao mundo para que trabalhe arduamente para que todas as crianças no Médio Oriente e do Norte de África possam “sobreviver, prosperar e atingir seu pleno potencial”.

“Esta não é uma geração perdida”, declarou o representante do Unicef ao alertar para o que chamou de julgamento da história. Segundo Cappelaere, “é preciso investir mais nas crianças da região”.

Nenhuma Geração Perdida

Através da iniciativa “Nenhuma Geração Perdida”, o Unicef ajudou a fornecer oportunidades de aprendizado formais e informais para refugiados sírios no Egito, Iraque, Jordânia e Líbano.

Na Síria e em países vizinhos que abrigam deslocados, a agência da ONU ajudou a vacinar mais de 21 milhões de crianças contra pólio em 2016. No Sudão, mais de 82 mil menores receberam apoio psicossocial neste ano; e no Iémen, 4 milhões de crianças receberam serviços nutricionais com apoio do Unicef.

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