Ban diz que “ONU é a história de sua vida”
BR

12 dezembro 2016

Secretário-geral deixa cargo no fim do mês; ele afirmou que nos últimos 10 anos viu o poder da cooperação internacional para enfrentar os maiores desafios globais.

Edgard Júnior, da Rádio ONU em Nova York.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, afirmou que servir “nessa capacidade pelos últimos 10 anos foi um privilégio de uma vida”. O mandato de Ban termina em 31 de dezembro.

Ele será substituído pelo ex-primeiro-ministro de Portugal e ex-chefe da agência da ONU para Refugiados, Acnur, António Guterres.

História

Em discurso esta segunda-feira na Assembleia Geral, Ban afirmou que “é um filho das Nações Unidas” e que “a organização é a história de sua vida”.

O chefe da ONU, que é da Coreia do Sul, contou que depois da Guerra da Coreia, em 1953, os alimentos distribuídos pela organização ajudaram a alimentar a população de seu país, os livros levados pela ONU ajudaram a ensinar as crianças e a solidariedade das Nações Unidas mostrou que os coreanos não estavam sozinhos.

Ao falar sobre sua década no comando da organização, Ban disse que viu o poder da cooperação internacional para lidar com os maiores desafios globais.

Ele disse que durante esse período o mundo enfrentou “o pior colapso financeiro depois da Grande Depressão, o surgimento de conflitos e movimentos por liberdade”.

Pobreza

Ban citou ainda o número recorde de pessoas fugindo de guerras, de perseguições e da pobreza. Problemas causados por doenças, desastres naturais e o rápido aquecimento do planeta.

Segundo o secretário-geral, apesar das dificuldades, a ONU ajudou a salvar vidas e proteger milhões de pessoas em todo o mundo.

Para Ban, a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável e o Acordo de Paris sobre mudança climática abriram o caminho para um mundo mais seguro, justo e pacífico para todos.

Ele citou ainda grandes avanços em relação à autonomia de mulheres e liderança dos jovens. Apesar disso, o chefe da ONU disse que muito sofrimento e muita luta perduram.

Ban afirmou que mulheres e crianças enfrentam violência e exploração. Muitas pessoas enfrentam também “o ódio pelo simples fato de serem quem são”.

Síria

O secretário-geral declarou que “muitos problemas se mostraram intratáveis, mas nenhum pior do que a guerra na Síria”.

Ele explicou que os países atualmente estão mais interdependentes do que nunca, as economias estão mais integradas e as pessoas estão mais interconectadas.

Para Ban, “parece evidente que as soluções internacionais estão de acordo com os interesses nacionais”. Ele disse que os objetivos e ideais de liberdade não são “luxo ou moedas de troca”.

O secretário-geral afirmou que durante seu mandato, manteve a atenção na dignidade e nos direitos dos povos e buscou defender os mais vulneráveis ou as pessoas que foram esquecidas.

Ban explicou que fez o possível para que as futuras gerações possam viver em paz.

Ele disse não ter dúvidas de que o próximo secretário-geral, António Guterres, com toda a sua paixão e compaixão, vai “navegar com sucesso entre os muitos complexos desafios e levar a organização a patamares mais altos”.

Leia Mais:

Guterres: "ONU nasceu da guerra. Hoje devemos estar aqui para a paz"

Acompanhe a cobertura completa sobre o próximo secretário-geral da ONU, António Guterres.

 

♦ Receba atualizações diretamente no seu email - Assine aqui a newsletter da ONU News
♦ Baixe o aplicativo/aplicação para - iOS ou Android
♦ Siga-nos no Twitter! Assista aos vídeos no Youtube e ouça a rádio no Soundcloud