Especial: as expectativas sobre o futuro da ONU com António Guterres
BR

12 dezembro 2016

Resolução de conflitos, desenvolvimento e combate à mudança climática: embaixadores dos países de língua portuguesa mencionam quais prioridades gostariam de ver na agenda do próximo secretário-geral, António Guterres.

Leda Letra, da Rádio ONU em Nova York. 

Esta segunda-feira, 12 de dezembro, foi um dia histórico para as Nações Unidas, com a cerimônia de juramento do próximo secretário-geral, António Guterres.

O engenheiro e ex-primeiro-ministro português começa oficialmente no cargo mais alto da diplomacia no dia 1º de janeiro de 2017.

Paz na África

O novo ano traz um novo chefe para as Nações Unidas: motivo de esperança para os diplomatas internacionais que acompanharam o evento na Assembleia Geral, em Nova York.

O embaixador de Angola junto à organização, Ismael Martins, contou à Rádio ONU que espera que Guterres coloque entre suas prioridades a resolução de conflitos.

“Um tema mais importante, que também é muito querido, eu penso, a António Guterres, é o de acabar com os conflitos em África. Trazer a paz ao continente, para que com a paz, o continente se possa desenvolver.”

Visão do Brasil

Na avaliação do embaixador do Brasil, ter um secretário-geral que fale a língua portuguesa poderá ajudar muito os países lusófonos. Mauro Vieira está otimista com as mudanças que a ONU deverá passar nos próximos anos.

“Após 10 anos de uma secretaria-geral muito bem exercida, eu acho que é sempre uma mudança de estilos e de personalidades. O novo secretário-geral Guterres trará um grande aporte porquê ele é um homem com grande experiência em política doméstica em seu país, Portugal, mas também grande experiência em política externa, em política internacional. Para a ONU, eu tenho certeza de que a soma dessa experiência dele será muito positiva, muito auspiciosa.”

O embaixador Mauro Vieira acredita que Guterres dará continuidade aos esforços do atual secretário-geral, Ban Ki-moon, em prol do desenvolvimento sustentável.

Pontes

Cabo Verde está com um novo embaixador na ONU, José Luís Rocha, que iniciou seu mandato há poucos dias. Durante a cerimônia de juramento de Guterres, o diplomata citou temas importantes para o seu país dentro das Nações Unidas.

“Trabalhar no sentido de haver um reforço do multilateralismo, aproveitar os mecanismos, os instrumentos e a cooperação ao serviço do desenvolvimento sustentável de Cabo Verde, ao serviço de um apoio efetivo à problemática das mudanças climáticas e sobretudo ao serviço da graduação de Cabo Verde, tendo em atenção a sua dimensão de um pequeno Estado insular em desenvolvimento.”

O embaixador cabo-verdiano José Luís Rocha acredita que ter um secretário-geral lusófono poderá facilitar muito a comunicação entre Nações Unidas e países de língua portuguesa.

Mudança Climática

O representante na ONU de uma outra ilha africana, São Tomé e Príncipe, concorda e tem também a expectativa de que o português torne-se língua oficial da organização.

Mas para o embaixador Carlos Agostinho das Neves, a prioridade neste momento é o combate à mudança climática.

“Eu espero que a questão climática seja um dos temas que ele vai aprofundar largamente, porquê para nós como ilhéus é extremamente importante. As mudanças climáticas têm provocado grandes problemas em São Tomé e Príncipe. Eu penso que o senhor engenheiro (Guterres) possa contribuir imenso para a questão da paz, sobretudo o que se passa na Síria, na Líbia, a questão dos refugiados, que ele conhece bem. Tudo isso para nós é de extrema relevância.”

Orgulho de Portugal

Ter um português fazendo o juramento sobre a Carta das Nações Unidas e sendo firmado como o próximo secretário-geral da organização foi um “momento único” para Portugal, nas palavras do presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.

“Primeiro é irrepetível ver um secretário-geral das Nações Unidas português e depois com a personalidade, a capacidade, a inteligência, a abnegação social. É um momento em que Portugal sente que pode servir o mundo, através de um português ilustre. Não é apenas a alegria egoísta de um país, é o serviço do mundo.”

Além do presidente, o primeiro-ministro de Portugal, António Costa, também participou da cerimônia na Assembleia Geral, assim como os representantes na ONU dos outros países lusófonos, Guiné-Bissau, Moçambique e Timor-Leste.

Acompanhe a cobertura completa sobre o próximo secretário-geral da ONU, António Guterres.

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O atual e o futuro chefe da ONU: Ban Ki-moon e António Guterres. Foto: ONU/Manuel Elias

 

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