ONU e parceiros precisam de US$ 2,6 mil milhões para emergência no Sahel

8 dezembro 2016

Nações Unidas e ONGs parceiras lançaram apelo para fornecer assistência vital a 15 milhões de pessoas na região; segundo coordenador regional humanitário, Toby Lanzer, Sahel enfrenta desafios consideráveis e permanecerá como uma das maiores operações humanitárias do mundo em 2017.

Laura Gelbert, da Rádio ONU em Nova Iorque.

As Nações Unidas e ONGs parceiras lançaram na quarta-feira em Dacar, no Senegal, um apelo de US$ 2,66 mil milhões para fornecer assistência vital a 15 milhões de pessoas nos oito países da região do Sahel.

Segundo o secretário-geral assistente e coordenador regional humanitário, Toby Lanzer, “o Sahel enfrenta desafios consideráveis e permanecerá local de uma das maiores operações humanitárias do mundo em 2017”.

Sofrimento humano

Em nota do Escritório da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários, Ocha, Lanzer afirmou que “milhões de pessoas continuam a viver em condições deploráveis de sofrimento humano”.

O secretário-geral assistente ressaltou que as vidas e meios de subsistência desses indivíduos “estarão em jogo, a não ser que a comunidade humanitária, governos e doadores renovem seu compromisso para assistir e proteger aqueles com necessidades urgentes”. Ele também citou ajuda a estas comunidades para que se tornem menos expostas a choques.

Fuga e desnutrição

De acordo com o Ocha, uma em cada cinco famílias no Sahel continua extremamente frágil e 4,9 milhões de pessoas fugiram de suas casas. O Escritório calcula que em 2017 mais de 30 milhões de pessoas enfrentarão insegurança alimentar. Dessas, 12 milhões precisarão de ajuda urgente.

A desnutrição continua a atingir níveis críticos na região, especialmente no Chade e no nordeste da Nigéria, onde a incidência global de desnutrição agudo é de 30%, o dobro do considerado limiar de emergência.

Segundo Lanzer, na Bacia do Lago Chade, “onde a crise é mais aguda, 11 milhões de pessoas precisam de assistência de emergência e necessidades financeiras quase triplicaram desde o ano passado”.

Sobrevivência

O coordenador humanitário regional destacou que “500 mil crianças gravemente desnutridas precisam de ajuda imediata para sobreviver”. No Mali, ele afirmou que a “situação é estável, mas permanece extremamente preocupante devido à insegurança”.

Já no Burquina Fasso, Mauritânia e Senegal, Lanzer mencionou que a ausência de violência coincidiu com duas temporadas de chuva “relativamente boas”. Para o secretário-geral assistente, isso permitiu que comunidades se recuperassem de choques anteriores, com a ajuda de atores humanitários, e se tornassem mais resilientes”.

Crise tripla

Lanzer defendeu ser preciso “mais do que nunca” mudar de uma abordagem de “fornecer ajuda” para uma de “acabar com necessidades” porque, segundo ele, a “vulnerabilidade extrema no Sahel é o sintoma mais visível da tripla crise de governança, insegurança e mudança climática que afeta a região”.

O coordenador regional do Ocha ressaltou ainda a “explosão demográfica” que fará com que a “população da região dobre nos próximos vinte anos, a exacerbar ainda mais esta situação”.

Ele declarou que as agências da ONU e seus parceiros estão “comprometidos a fazer tudo o que podem para responder de forma rápida e eficaz às necessidades urgentes de indivíduos, famílias e comunidades afetadas”.

Lanzer ressaltou ainda que o Ocha continua a fortalecer a colaboração com governos e instituições das áreas de desenvolvimento e estabilização.

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