Ban fala sobre dificuldades para a ONU entregar assistência em Alepo
BR

7 dezembro 2016

Secretário-geral lembra que lados em conflito quebraram acordos de pausa nas hostilidades; em visita oficial à Áustria, ele lamenta que organização esteja há seis anos tentando resolver a crise síria.

Leda Letra, da Rádio ONU em Nova York.

O secretário-geral da ONU está em Viena, na Áustria, e participou de uma entrevista à imprensa nesta quarta-feira, ao lado do ministro das Relações Exteriores Sebastian Kurz.

Ao ser questionado por um jornalista sobre a situação em Alepo, na Síria, Ban Ki-moon respondeu que a ONU e o Conselho de Segurança “têm trabalhado duro para conseguir o fim da crise no país por meio de uma solução política”.

Esforços

Mas ele lamentou que isso não tenha sido possível nos últimos seis anos.

Ban Ki-moon afirmou que as cenas no leste de Alepo são “de partir o coração”. Segundo o secretário-geral, a ONU tem tentado fornecer assistência humanitária essencial para os civis da cidade, especialmente os que estão sob cerco.

Mas a tarefa tem sido muito difícil devido ao conflito. E os acordos de pausa, negociados tão duramente, acabaram sendo quebrados pelos lados em guerra.

Cessar-fogo

O secretário-geral explicou que exatamente por isso tem sido tão difícil para a ONU continuar com a entrega de itens de ajuda humanitária. Ban destaca ser essencial conseguir um cessar-fogo, para que as pessoas recebam assistência.

Com os bombardeios aéreos na Síria, hospitais, clínicas, centrais de abastecimento de água e fontes de alimentos foram destruídos, causando uma “série crise humanitária”, segundo o secretário-geral.

A representante do Unicef no país árabe, Hanaa Singer, acaba de retornar de Alepo, onde 31,5 mil pessoas do leste da cidade ficaram desalojadas em apenas 10 dias, metade são crianças.

Retorno

No bairro de Hanano, que foi retomado pelas forças do governo no dia 27 de novembro, mais de 6 mil moradores voltaram para casa. Mas segundo Singer, a destruição no local é enorme.

A representante do Unicef ficou surpresa com o retorno, mas segundo ela, isso mostra que os civis “querem apenas tentar reconstruir suas casas e suas vidas”.

Somente neste ano, 84 escolas sofreram ataques na Síria e pelo menos 69 crianças morreram enquanto estavam nas salas de aula. O Unicef já começou a distribuir roupas de inverno e água potável, e 7 mil crianças e mães foram imunizadas.

Singer destaca que a atenção do mundo está voltada para Alepo, mas o leste da cidade é apenas uma das 16 áreas sob cerco no país, onde quase meio milhão de crianças continuam sem poder escapar de condições de vida que apenas pioram.

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