Ocha: necessidades humanitárias continuam a aumentar em África Austral

7 dezembro 2016

Escritório da ONU cita que região está prestes a entrar no pico da época magra após a pior seca em décadas; fenómeno foi induzido pelo El Niño.

Laura Gelbert, da Rádio ONU em Nova Iorque.

A África Austral está a entrar no pico da época magra após a pior seca em décadas, alertou o Escritório da ONU para Coordenação de Assuntos Humanitários, Ocha. O fenómeno foi induzido pelo El Niño.

Com estoques de comida quase esgotados devido a poucas ou falta de colheitas na região, estimativas são de que o número de pessoas que precisam de assistência humanitária tenha subido em mais de 1 milhão para 13,8 milhões de pessoas.

Assistência humanitária

O Ocha cita principalmente o aumento das necessidades em Madagáscar, Malauí e Zimbabué.

O coordenador do órgão para o El Niño na África Austral, Timo Pakkala, afirmou que a “assistência humanitária está sendo ampliada em toda a região”, ressaltando ser “essencial” que a ajuda aos mais vulneráveis seja mantida na época magra.

Na terça-feira, agências humanitárias lançaram um plano de ação revisado. A escassez de alimentos em toda a região é grave no momento e está sendo exacerbada por diversos fatores, incluindo preço baixo das commodities, taxas de câmbio desfavoráveis e crescimento económico baixo.

Além disso, na região reside um terço de todas as pessoas a viver com o HIV em todo o mundo.

Mulheres e crianças

O Ocha alerta que a crise está a afetar mulheres e crianças de forma desproporcional, a citar aumento no número de crianças a deixar a escola devido à falta de água ou comida, a se envolver em trabalho infantil ou entrar em casamento precoce.

No Malauí, por exemplo, mais de 137 mil crianças foram forçadas a deixar as salas de aula devido à crise.

O órgão ressaltou particular preocupação com a situação no sul de Madagáscar onde cerca de 845 mil pessoas estariam atualmente em situação de crise de segurança alimentar.

No local, a produção de milho, mandioca e arroz caiu cerca de 95% em comparação a 2015. A resposta humanitária para o Madagáscar está financiada em apenas 29%.

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