ONU contará com contribuições para realizar estratégia contra cólera no Haiti
BR

1 dezembro 2016

Conselheiro especial do secretário-geral para a resposta ao cólera no Haiti, David Nabarro, diz que é preciso contar com o esforço dos países-membros para financiar o combate à infecção; iniciativa requer US$ 400 milhões em dois anos.

Monica Grayley e Eleutério Guevane, da Rádio ONU.

A nova estratégia de combate ao cólera no Haiti dependerá da ajuda financeira dos países-membros da ONU e da comunidade internacional.

A medida é parte de um novo plano de combate à doença que matou pelo menos 9 mil haitianos desde o início do surto em outubro de 2010.

Comunidades afetadas

Com os esforços de autoridades haitianas e da comunidade internacional, houve uma redução de 90% nos casos de novas infecções se comparado aos momentos de pico.

Nesta quinta-feira, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, anunciou uma nova estratégia para erradicar o cólera do Haiti e atender diretamente as comunidades afetadas.

O conselheiro especial do secretário-geral para a resposta ao cólera no país caribenho, David Nabarro, concedeu uma entrevista a jornalistas antes do anúncio e disse que a resposta deve contar com a ajuda ativa de países-membros para financiar o plano de combate.

Fundo especial

Segundo o especialista, a ONU não tem reserva de dinheiro e para apoiar o combate ao cólera nas comunidades haitianas é preciso discutir o tema com os países-membros que podem fazer contribuições voluntárias ou destinar verbas de um fundo especial. Nabarro disse que é preciso contar com um esforço coletivo.

David Nabarro falou ainda da importância da construção de uma infraestrutra forte nas áreas de saneamento básico e fornecimento de água tratada.

O médico explicou que onde existe um serviço eficiente de saneamento básico o cólera não sobrevive. Nabarro lembrou que esta primeira parte da nova estratégia da ONU é muito importante porque somente 25% dos haitianos têm acesso a esgoto tratados.

Aspecto comunitário

Nabarro conversou com jornalistas ao lado do vice-secretário-geral Jan Eliasson. Segundo Eliasson, a nova estratégia da ONU tem um aspecto comunitário que deverá “fazer a coisa certa” para o povo haitiano.

Jan Eliasson destacou que existe um compromisso real para o esforço que terá que ser feito para acabar com a doença. Ele lembrou que a ONU “lamenta realmente a perda das vidas, o sofrimento e o fato de não se ter feito o suficiente para o fim da epidemia.”

O vice-chefe da ONU afirmou que os projetos comunitários serão discutidos para determinar o melhor pacote para comunidades, que podem envolver aspectos como microfinanças e outros que incluem subsídios de educação para as famílias das vítimas.

Eliasson contou que a meta é angariar US$ 200 milhões para a segunda parte. O plano total é de US$ 400 milhões para dois anos.

O vice-secretário-geral da ONU espera que os Estados-membros participem de forma positiva nesta abordagem. Eliasson comentou sinais de apoio especialmente de países da América Latina e do Caribe e de outras nações.

Ele disse que a busca da solução vai continuar com o novo secretário-geral, António Guterres, particularmente para a segunda parte do plano. Eliasson frisou que Guterres está a par do assunto.

 

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