ONU teme escalada da violência no fim de mandato do líder da RD Congo

30 novembro 2016

Vice-chefe dos direitos humanos prevê manifestações parecidas às que provocaram dezenas de mortos há dois meses; Andrew Gilmour alerta sobre possível “escalada verdadeiramente terrível”.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

O secretário-geral adjunto para os Direitos Humanos declarou esta quarta-feira que os países  devem “explorar todos os meios ao seu dispor” nos esforços para deter a violência e os abusos na República Democrática do Congo, RD Congo.

Andrew Gilmour disse ao Conselho de Direitos Humanos que em três semanas, a 19 de dezembro, termina o segundo e último mandato do presidente Joseph Kabila.  A preocupação “profunda e generalizada” é que haja protestos em massa em várias partes do país.

Escalada

Gilmour afirmou que as manifestações podem ter uma participação como as de setembro. Nesse caso indicou que pode ser vista uma “escalada verdadeiramente terrível” da violência.

Há dois meses perto de 50 pessoas foram mortas a tiros com “munição real disparada na cabeça ou no peito”. Nessa altura, pelo menos sete jornalistas foram presos e dois jornais fechados, revela o informe.

O representante lembrou que o sinal da Rádio França Internacional, RFI, foi interrompido em Kinshasa e bloqueada a Rádio Okapi da ONU por quatro dias.

O pedido feito  às autoridades congolesas é que permitam “ a todos os meios de comunicação que operem livremente e que sejam ouvidas as vozes de todas as camadas da população e dos atores políticos”.

Aumento da confiança

Por esses motivos, Gilmour pediu que sejam implementadas medidas para aumentar a confiança agora para travar esse cenário.

Gilmour visitou o país na semana passada e apontou como “preocupação profunda” o aumento das represálias contra os que colaboraram com o Escritório dos Direitos Humanos da ONU as quais “merecem maior apoio”. Ele revelou que esse foi um dos motivos da deslocação.

Represálias

O combate ao problema é a primeira das três prioridades de trabalho de Gilmour com a RD Congo no futuro. O objetivo é reforçar as ações contra as represálias e para tornar essas atividades mais visíveis.

Gilmore disse que em segundo lugar pretende um “envolvimento construtivo” com todas as partes interessadas, que incluem a sociedade civil e os países para travar e reagir às represálias que vierem a ocorrer.

Em terceiro lugar, o representante disse que deve haver cooperação com todos envolvidos na questão com o Conselho de Direitos Humanos.

Leia Mais:

Enviado da ONU quer apoio de congoleses para realização de eleições pacíficas

 

♦ Receba atualizações diretamente no seu email - Assine aqui a newsletter da ONU News
♦ Baixe o aplicativo/aplicação para - iOS ou Android
♦ Assista aos vídeos no Youtube e ouça a rádio no Soundcloud