ONU alia-se às comemorações do 25 de Novembro na Guiné-Bissau

25 novembro 2016

Comunidades do sul do país abandonam as práticas tradicionais nefastas à saúde da mulher e criança; declaração pública acontece no lançamento dos 16 dias de ativismo de luta contra a violência baseada no género; Grupo Temático da ONU para o género é parte da iniciativa.

Amatijane Candé, de Bissau para a Rádio ONU.

Assinalou-se este 25 de Novembro, Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres com o lançamento oficial dos 16 dias de Ativismo de luta contra violências nas mulheres. O ato central aconteceu na seção de Guiledje, Região de Tombali, sul da Guiné-Bissau.

Sessões de sensibilização às comunidades marcaram as celebrações amadrinhadas pela primeira-dama do País, Maria Rosa Vaz e subordinadas ao lema: alaranjar o mundo, mobilizar os recursos para pôr fim à violência contra as mulheres.

Parceria

A iniciativa do governo através do Ministério da Mulher, Família e Coesão Social, contou com a parceria do grupo temático das Nações Unidas para o género, coordenado pela ONU Mulheres. Organizações da sociedade civil, defensoras e promotoras dos direitos da mulher também estiveram envolvidas.

Em conversa com a Rádio ONU na capital guineense, Marie Letícia Kayisiré, Coordenadora da ONU Mulheres destacou os impactos da violência contra a mulher ao ler a declaração da diretora executiva da entidade da ONU para a equidade de género e autonomização das mulheres.

“As mulheres e meninas que experimentam a violência perdem sua dignidade, vivem no medo e na dor, e nos piores casos pagam com suas vidas. Devemos ser capazes de esperar que os agressores sejam punidos, que a justiça seja feita, e que possamos obter cuidados e apoios para ferimentos”.

Declaração Pública

O ato desenrolou no setor onnde há mais desafio para o país em termos dos direitos humanos. Na ocasião, 10 comunidades locais vão declarar publicamente o abandono à mutilação genital feminina, o casamento forçado ou precoce e a não-escolarização das meninas.

Declaração de Guiledje resultou de um trabalho de base que já vinha sendo realizado pelo Comité Nacional para o Abandono das Praticas Nefastas há mais de quatro anos. Para a presidente do comité, Fatumata Jao Baldé, as referidas práticas são uma forma de violência contra as mulheres.

“Tendo em conta vários casos de violência que ocorrem no setor, todos se juntaram no cruzamento de Guiledje para podermos comemorar, chamar atenção das populações sobre a importância do direito à vida. Ninguém tem o direito de violentar o outro e sobretudo a não-violência contra a mulher.”

Várias atividades vão preencher a jornada em diferentes pontos do país, como a organização de uma mesa redonda sobre o engajamento financeiro do governo e dos parceiros para a educação das meninas e a divulgação das leis que protegem as mulheres. A jornada termina a 10 de dezembro, dia internacional dos direitos humanos.

 

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