Enviada da ONU fala de risco de guerra civil no Sudão do Sul

18 novembro 2016

Representante pede prioridade do Conselho de Segurança ao país; apela às autoridades de Juba para acabar com incidentes; já assessor para Prevenção do Genocídio fala de confrontos étnicos com alegada ação do exército, oposição, grupos armados não identificados e bandidos.

Ellen Margrethe Loj no informe ao Conselho de Segurança. Foto ONU/JC McIlwaineEleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

O Sudão do Sul está sob risco de uma possível “guerra civil em grande escala e de sofrer maiores divisões que tornariam impossível uma coesão nacional”.

O alerta foi lançado pela representante especial da ONU para o país, Ellen Margrethe Loj num informe apresentado esta quinta-feira ao Conselho de Segurança.

Prioridade

O pedido aos 15 Estados-membros do órgão é que estes continuem a priorizar o país e que considerem o futuro do seu povo na tomada de qualquer decisão. Loj falou de seguida à Rádio ONU e justificou  a insistência ao Conselho.

A enviada destacou que é o povo do Sudão do Sul que sofre num caminho tumultuado adiante, uma situação difícil e muitos recuos mas que justifica que se continue a tentar  pensando em homens e mulheres do Sudão do Sul.

Loj sublinhou que a atual situação é resultado do agravamento da situação da economia e de um conflito cada vez mais fragmentado e marcado por confrontos étnicos.

Os combates no mais novo país do mundo iniciaram em 2013, na sequência de uma disputa política entre o presidente Salva Kiir e o então vice-presidente Riek Machar.

Incidentes

A também chefe da Missão da ONU no Sudão do Sul, Unmiss, apelou a mais esforços do governo de transição para acabar com incidentes de segurança que “contribuem para um ambiente de instabilidade e violência.”

Loj disse que as armas devem ser silenciadas para evitar o agravamento do sofrimento do povo.

Quanto à comunidade internacional, a responsável destacou que “deve-se fazer mais para deter o aumento de conflitos localizados, da retórica da intolerância étnica e do incitamento à violência.”

Divisões

Na sessão também discursou o conselheiro especial da ONU sobre a Prevenção do Genocídio que reiterou o seu receio de que as divisões étnicas levem a massacres.

Adama Dieng falou da sua presença no mais novo país do mundo na semana passada com objetivo de avaliar a situação e entender as razões por detrás da violência alimentada por divisões étnicas.

O assessor expressou choque “com o que viu e ouviu no Sudão do Sul, que confirmou as preocupações de um forte risco de aumento da violência étnica com potencial de levar a genocídio”.

Como destacou, nessas ações estariam envolvidos o Exército Popular de Libertação do Sudão, Spla, no poder, o Spla na oposição, outros grupos armados não identificados e bandidos.

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