Assembleia Geral pode agir para reduzir violência a albinos, diz relatora

28 outubro 2016

Ikponwosa Ero é primeira especialista independente nomeada pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU para questão; ela apresentou seu último relatório ao órgão, em Nova Iorque; documento identifica causas de ataques e discriminação a pessoas com albinismo e indica passos concretos para melhorar situação.

Laura Gelbert, da Rádio ONU em Nova Iorque.

A especialista em direitos humanos Ikponwosa Ero fez um pedido a representantes de governos reunidos na Assembleia Geral das Nações Unidas: que tomem medidas rápidas para acabar com o crescente problema da violência e grave discriminação contra pessoas com albinismo.

Ero é a primeira especialista independente nomeada pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU para monitorar, relatar e aconselhar sobre a situação das pessoas com albinismo em todo o mundo.

Direitos Humanos

Seu último relatório foi revisado nesta quinta-feira pela Terceira Comissão, o principal órgão da Assembleia Geral a lidar com questões de direitos humanos.

O documento identifica causas de ataques e discriminação a pessoas com albinismo e indica passos legais concretos para melhorar a situação.

A relatora encoraja, por exemplo, a criação de campanhas de conscientização contínuas e de longo prazo que apoiem mães de crianças com albinismo. Segundo ela, é preciso regular práticas de feitiçaria, tidas como uma das causas da violência a albinos.

Crenças

Outras causas são percepções errôneas sobre a condição, enraizadas na cultura. Entre estas, o mito de que pessoas com albinismo “são fantasmas, que não morrem, mas desaparecem”.

Segundo Ikponwosa Ero, isto contribui para minimizar o impacto social dos ataques e justificar supostos desaparecimentos.

Um dos impactos mais preocupantes de tais crenças é que comunidades, famílias e, às vezes, até as mães abandonam crianças com albinismo.

Poderes mágicos

A relatora citou ainda que acredita-se, por exemplo, que “beber o sangue de pessoas com albinismo traz poderes mágicos ou pode ser usado para aumentar vitalidade ou capacidade intelectual; que os ossos de pessoas com albinismo podem ajudar a descobrir ouro em minas; que suas mãos queimadas até virarem cinzas e misturadas em uma pasta podem curar derrames”.

A pobreza também pode incentivar ataques a pessoas com albinismo. Práticas como as mencionadas pela especialista em direitos humanos causaram o aumento de um mercado negro que valoriza membros dos corpos dessas pessoas; assim, o potencial de ganhar dinheiro teria se tornado um grande incentivo para ataques.

Impunidade

Para Ero, além de “mitos, prática de feitiçaria e pobreza, há ainda fatores agravantes, incluindo a visibilidade de pessoas com albinismo, especialmente em regiões onde elas se destacam devido à sua pigmentação” e a caracterização dessas pessoas em filmes e livros que “perpetua equívocos”.

Ela ressaltou ainda “impunidade e resposta judicial fraca aos ataques”.

Especialistas independentes são parte do que é conhecido como Procedimentos Especiais do Conselho de Direitos Humanos da ONU.

Estes especialistas trabalham de forma voluntária: eles não são funcionários da ONU e não receber salário por seu trabalho; são independentes de qualquer governo ou organização e servem em sua capacidade individual.

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