Doadores mobilizados para lidar com choques climáticos em Moçambique

26 outubro 2016

Enviado da ONU voltou a advertir que o tipo de eventos deve persistir por décadas; pedido feito aos parceiros de desenvolvimento é que considerem apoiar às populações afetadas a longo prazo.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Maputo.

Moçambique já recebeu promessas de perto de metade do valor que precisa até março para lidar com impactos das mudanças climáticas. As Nações Unidas revelaram que foram mobilizados US$ 117 milhões dos US$ 240 milhões nos parceiros.

O enviado da ONU sobre Mudanças Climáticas e El Niño, Macharia Kamau, reuniu-se esta quarta-feira com o presidente Filipe Jacinto Nyusi antes de pedir o apoio dos doadores a ações para lidar com choques do clima. Ele destacou que esses fenómenos “deverão repetir-se nas próximas décadas”.

Dificuldades

Na capital moçambicana, a Rádio ONU conversou com a representante da Agência Britânica de Desenvolvimento Internacional, Dfid. Cate Turton disse que os parceiros de Moçambique têm agora que redobrar a sua atenção em várias frentes.

Ela frisou que doadores estão preocupados com as vulnerabilidades que em Moçambique são reveladas de duas formas. A primeira são os choques, o clima e a crise económica. A segunda tem a ver com a resiliência das pessoas para lidar com esses choques. A mensagem passada ao enviado foi de que “deve ser pensado em ambas as situações e apoiar realmente aos mais pobres para que estes possam lidar com os choques.”

O representante residente do Banco Africano de Desenvolvimento em Moçambique, Joseph Ribeiro, considerou a reunião uma oportunidade para coordenar melhor a ajuda ao país. A instituição disse que já tem uma presença importante em iniciativas de Moçambique.

Instituições fortes

“Cerca de US$ 800 milhões nas áreas de estradas, energia, barragem, água e saneamento. De uma certa forma, estas intervenções ajudam a ter mais resiliência face a problemas das mudanças climáticas que infelizmente a cada ano estão com mais impacto. Mas nós devemos reconhecer que há uma forte vontade do governo e das mais altas autoridades do país no sentido de lutar de forma frontal contra dificuldades causadas pelas mudanças climáticas.”

O país foi um dos afetados pelo que é considerado um dos mais fortes El Niños de que há registo, que culminou em 2015. O fenómeno climático foi marcado por chuvas intensas no norte e secas no sul de Moçambique.

Esta quinta-feira, Macharia Kamau visita as áreas de Magude e Xinavane na província de Maputo, no sul. Em todo o país, o El Niño provocou pelo menos 1,5 milhão de vítimas.

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