Vice-chefe da ONU destaca programa de combate ao cólera no Haiti
BR

25 outubro 2016

Jan Eliasson afirmou que pacote da organização tem ações imediatas de assistência para impactos do furacão Matthew; ele destacou ainda “tratamento, vacinação, ajuda a melhorias nos setores de saneamento e saúde”.

Laura Gelbert, da Rádio ONU em Nova York.

As Nações Unidas estão trabalhando “muito duro” na preparação de uma série de propostas em relação à resposta ao cólera no Haiti para que o secretário-geral apresente à Assembleia Geral no mês que vem.

A informação é do vice-secretário-geral da ONU, Jan Eliasson, em uma entrevista ao serviço de notícias da organização nesta terça-feira.

Furacão Matthew

Segundo Eliasson, em primeiro lugar, o pacote contém ações imediatas muito importantes para ajudar a população haitinana com os “efeitos horríveis do mostruoso furacão” que atingiu o país.

O vice-chefe da ONU declarou que há ainda uma parte que lida com o combate ao cólera. Segundo ele, isso significa “tratamento, vacinação, ajuda a melhorias nos setores de saneamento e saúde”.

Recursos

Eliasson afirmou que este é um programa de cerca de US$ 200 milhões e que, “infelizmente, vê-se uma conexão entre os efeitos do furacão e cólera”.

Ele afirmou que a ONU está trabalhando “muito duro para mobilizar os recursos para isso” e que também recebeu “reações positivas” do Banco Mundial e do Banco Interamericano de Desenvolvimento, BID.

Na entrevista, o vice-chefe da organização falou de um pacote total de US$ 400 milhões, citando a necessidade de identificar um “pacote de apoio” a pessoas afetadas, o que precisaria de outros US$ 200 milhões.

Solidariedade

O vice-secretário-geral afirmou ainda que em muitas formas, em sua visão, é possível combinar uma “posição legal firme com compaixão e demonstração prática de solidariedade” com a população haitiana.

Segundo ele, os haitianos “sofreram mais do que a maioria dos povos no mundo”, citando o “horrível terremoto, que matou mais de 250 mil pessoas, o “cólera, deixando quase 10 mil mortos e agora esse furacão monstruoso”.

“É preciso mostrar solidariedade com a população haitiana”, disse Jan Eliasson, ressaltando que “as Nações Unidas são, afinal, sobre solidariedade com as pessoas que precisam”.

Ele lembrou ainda que os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável dizem que ninguém deve ser esquecido.

Coisa certa

Sobre a reposta, o vice-chefe da ONU afirmou que “é preciso fazer a coisa certa” e disse ter certeza que esta é a “coisa certa”.

Ele disse ainda ser algo que ele e o secretário-geral querem fazer antes do fim do seu mandato e afirmou estar certo que o secretário-geral designado Antonio Guterres “pensará e trabalhará nesse espírito”

Eliasson afirmou que “haverá trabalho contínuo nos próximos anos” ressaltando que o programa de erradicação do cólera estará em curso até 2022.

Relator Especial

Em um relatório à Assembleia Geral, o relator especial sobre pobreza extrema e direitos humanos,  Philip Alston criticiou o Escritório de Assuntos Legais da ONU, OLA.

Nesta terça-feira, Alston defendeu que conselho “falho e infundado” por advogados da ONU estariam “prevening a organização de aceitar responsabilidade” pelo surto de cólera no Haiti em 2010.

Segundo o Escritório de Direitos Humanos, o cólera foi levado ao Haiti por soldados de paz da ONU há seis anos. Quase 10 mil pessoas morreram e cerca de 800 mil foram infectadas, quase 10% da população.

Para o especialistas em direitos humanos, a “boa notícia é que sob a liderança corajosa do secretário-geral e do vice-secretário geral”, a ONU recentemente montou um fundo de reposta ao cólera no Haiti, com diversos parceiros, “com o objetivo de levantar pelo menos US$ 400 milhões para aumentar as ações de erradicação do cólera e assistir às vítimas da doença”.

No entanto, considerando isto como “má notícia”, Alston citou que a ONU não admitiu “responsabilidade factual ou legal”.

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