Embaixadores falam sobre expectativa para mandato de próximo líder da ONU

14 outubro 2016

Ex-primeiro-ministro português será o novo secretário-geral das Nações Unidas, a partir de 2017; Rádio ONU conversou com representantes de todos os países de língua portuguesa presentes na sala da Assembleia Geral para a nomeação do novo chefe da ONU.

Eleutério Guevane e Laura Gelbert, da Rádio ONU em Nova York.

A Assembleia Geral da ONU reuniu-se esta quinta-feira para considerar a indicação do novo secretário-geral da organização, como anunciou o presidente do órgão, Peter Thomson.

Por aclamação, os 193 membros das Nações Unidas decidiram: o engenheiro português António Guterres será o secretário-geral da ONU a partir de 1º de janeiro de 2017, por um período de cinco anos.

Conselho de Segurança

Em seis de outubro, Guterres havia sido recomendado pelo Conselho de Segurança para o cargo.

Angola é o único país lusófono no órgão atualmente. Na fila de cumprimentos do secretário-geral designado, após a cerimónia na Assembleia Geral, o embaixador angolano Ismael Martins falou à Rádio ONU.

Angola

“Eu gostaria de partilhar com os falantes do português, uma mensagem de satisfação, de muita satisfação mesmo, por termos eleito António Guterres. Ele foi eleito por todos nós, não apenas por nós de língua portuguesa. Ele foi eleito, desde o princípio, no Conselho de Segurança com uma aceitação, uma unanimidade o que de fato, demonstra bastante o valor que tem e o que traz como liderança para essa nossa organização.”

Brasil

Também na fila para cumprimentar o secretário-geral designaado, o embaixador do Brasil, Antonio Patriota, destacou as qualidades de António Guterres, que considerou “raras num líder”.

O representante brasileiro disse ainda que o fato de o novo chefe da ONU falar português é uma “alegria” a mais.

“Guterres reúne todas as qualidades profissionais, pessoais, a capacidade de falar com lideranças mundiais e o contato humano com aqueles que sofrem. São qualidades difíceis, raras num líder e que estão presentes neste grande português. O fato de ele falar a nossa alegria é claro que é uma alegria suplementar para todo o povo brasileiro.”

Cabo Verde

O embaixador de Cabo Verde junto à ONU, Fernando Wahnon Ferreira, disse haver razão para felicidade não somente no seu país mas em todos os lusófonos com a próxima etapa nas Nações Unidas.

“É um prazer estar a assistir a este momento. É uma alegria, finalmente, termos a um lusófono que vale pela sua competência, pela sua experiência e que nos deixa a todos muito felizes.”

Guiné-Bissau

A Guiné-Bissau tem expectativas em relação ao secretário-geral designado. O embaixador João Soares da Gama disse que Guterres poderá fazer a diferença acompanhando mais de perto a situação no terreno.

“O meu país está na agenda do Conselho de Segurança há quase 18 anos. E na agenda da Comissão de Consolidação da paz há 10 anos. O secretário-geral tem sempre uma palavra a dizer relativamente ao esforço que pode ser dado pela comunidade internacional particularmente as Nações Unidas relativamente à consolidação da paz. Toda a Guiné-Bissau espera muito do engenheiro António Guterres que conheceu a Guiné-Bissau não só como simples cidadão lusófono mas também como ex-primeiro-ministro.”

Moçambique

O embaixador de Moçambique, António Gumende, disse que com Guterres à frente da ONU o interesse da organização na busca da paz no seu país vai continuar.

“Moçambique está num processo encaminhado de diálogo interno que tem caracterizado a procura de soluções para a questão da paz no país. Creio que esse processo vai continuar. Temos neste momento alguns intervenientes externos que estão envolvidos no processo. As Nações como órgão internacional encarregue das questões atinentes à paz continuarão a apoiar como têm acompanhado até agora o processo.”

Portugal

Já o ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Augusto Santos Silva, espera que o próximo secretário-geral da ONU se concentre nas reformas da organização e faça com que ela seja mais vista "no campo, na rua".

“Ele vai ser como secretário-geral das Nações Unidas aquilo que hoje é: uma pessoa independente, com liderança, apostado na reforma das Nações Unidas de forma que o resultado do trabalho das Nações Unidas se veja no campo, na rua, nos países e menos em sua estrutura interna. E alguém muito habituado a estabelecer compromissos.  Para além de ser um conhecedor profundo dos dossiês dos problemas do mundo.”

São Tomé e Príncipe

O embaixador Carlos Agostinho das Neves afirmou que São Tomé e Príncipe “dará todo o apoio” para que o novo secretário-geral “exerça da melhor forma as suas funções.”

O diplomata são-tomense vê grande importância no fato de Guterres ser lusófono.

“É para nós um momento extremamente importante poder ter um secretário-geral de língua portuguesa. Para países de língua portuguesa isso tem um grande significado, o engenheiro Guterres é uma pessoa com grandes conhecimentos, com grande capacidade. Espero que possa fazer um grande trabalho. É isso que eu desejo. Nós daremos todo o apoio para que ele exercia da melhor forma as suas funções.”

Timor-Leste 

Atualmente, Timor-Leste preside a Comunidade de Países de língua Portuguesa, Cplp. A embaixadora timorense junto às Nações Unidas, Milena Pires, ressaltou ainda a o papel que o secretário-geral designado teve na independência de seu país.

“É um grande dia para as nações Unidas, naturalmente para a Cplp e para Portugal também. Para Timor-Leste dado o que tem sido a nossa relação com Portugal. E o papel determinante que o engenheiro António Guterres teve na independência de Timor-Leste peso que é um dia muito especial, foi uma oportunidade para os países da Cplp  juntos apoiar esta candidatura que foi do Engenheiro António Guterres. A Cplp só tem a ganhar com esta nomeação.”

António Manuel de Oliveira Guterres nasceu em Lisboa em 30 de abril de 1949.

Ele foi deputado da Assembleia da República, presidente da Assembleia Municipal do Fundão, atuou em política europeia e, em 1995, tornou-se primeiro-ministro de Portugal.

Em 2005, Guterres foi nomeado alto comissário da ONU para Refugiados, cargo que ocupou até o ano passado.

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