Atriz britânica Emma Watson entra em ação contra casamento infantil
BR

11 outubro 2016

Atriz e embaixadara da Boa Vontade da ONU Mulheres visitou o Malauí, onde metade das meninas se casam antes dos 18 anos; presidente do país africano é defensor da campanha ElesporElas.

Laura Gelbert, da Rádio ONU em Nova York.

Graças a crescente implementação de uma lei aprovada no ano passado, o casamento infantil pode, em breve, ser um assunto do passado no Malauí.

Na véspera do Dia Internacional da Menina, celebrado nesta terça-feira, a embaixadora da Boa Vontade da ONU Mulheres, Emma Watson, visitou o país africano para celebrar as conquistas da agência, do governo, e de autoridades locais e meninas que retornaram à escola após terem seus casamentos anulados.

Escolhas

Para a atriz britânica, o encontro com as meninas ajudou ela a lembrar de “como é importante para as mulheres poderem fazer suas próprias escolhas”.

Muitos dos casamentos prematuros são por causa da pobreza.

A ex-heroína do Harry Potter diz que muitas garotas são privadas de sua educação neste processo.

Emma Watson afirmou ser “animador ver como uma prática prejudicial pode ser interrompida quando comunidades cooperam para aprovarem leis e transformá-las em realidade”.

#ElesporElas

Em 2015, o Malauí aprovou uma lei que aumenta para 18 anos a idade mínima para o casamento. Desde então, a ONU Mulheres tem trabalhado com parceiros e chefes tribais para garantir que a lei seja implementada no âmbito local.

O presidente do país, Arthur Peter Mutharika, é um defensor da campanha ElesporElas. Ele nomeou uma força-tarefa especial para assegurar que a lei seja implementada dentro de cinco anos.

Segundo a ONU Mulheres, o Malauí tem uma das taxas mais altas de casamento infantil do mundo: metade das meninas se casam antes dos 18 anos, normalmente porque as famílias são muito pobres para continuar a sustentá-las.

Além disso, gravidez na adolescência representa cerca de 20% a 30% das mortes maternas e apenas 45% das meninas continuam sua educação após a 8º série.

Casamento infantil

Segundo a agência da ONU, excluindo a China, um terço das meninas de países em desenvolvimento estão casadas antes dos 18 anos de idade, interrompendo sua infância e direito à educação.

Práticas de casamento precoce também expõem garotas a abuso físico e sexual assim como gravidez precoce antes de estarem física ou emocionalmente preparadas para cuidarem de uma criança.

A lei do Malauí é resultado de 12 anos de esforços, incluindo cooperação entre a ONU Mulheres e chefes comunitários.

Em todo o mundo, a agência da ONU defende a adoção e implementação de leis que proíbam e evitem o casamento precoce. Estas dão autonomia a meninas e mulheres para que conheçam seus direitos e reúnem comunidades para ajudar a acabar com a prática.

Desenvolvimento Sustentável

A ONU Mulheres ressalta ainda que este trabalho é essencial para a realização dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, ODSs.

Como explicou a representante da ONU no Malauí, Clara Anyangwe, “progresso não é possível sem investimento em mulheres e meninas” que constituem “metade das promessas e recursos de quaisquer sociedades”.

A campanha da ONU Mulheres Planeta 50-50 até 2030 pede a todos os governos que dêem autonomia a mulheres e meninas para que realizem seu pleno potencial.

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