Na despedida da ONU, Patriota apela a maior diálogo sobre a Síria
BR

10 outubro 2016

Representante brasileiro destaca que países têm “consciência cada vez mais incomodada” em relação ao país árabe; diplomata despede-se do secretário-geral para representar o Brasil na Itália;

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova York.*

O embaixador do Brasil junto às Nações Unidas deixa de representar o seu país na organização destacando a necessidade de um “esforço concentrado” para o fim do conflito na Síria.

Antonio Patriota definiu o tema como um dos mais importantes durante os três anos em que esteve à frente da diplomacia brasileira na ONU em Nova York. Ele declarou que essa é uma grande necessidade diante da instabilidade no país.

Rapidez

“A consciência mundial está cada mais incomodada diante dessa tragédia do sofrimento da população civil, das mulheres e crianças, dos deslocados e refugiados. Não há alternativa. Precisamos buscar com urgência uma solução. Infelizmente, vários erros foram cometidos ao longo dos últimos anos. O ex-secretário-geral Kofi Annan produziu um documento consensual em 2012, ele poderia ter sido homologado com rapidez pelo Conselho de Segurança, mas levou um ano.”

Antes da cerimônia de despedida com o secretário-geral, Ban Ki-moon, nesta segunda-feira, Patriota lembrou que o Brasil interveio, juntamente com a África do Sul e com a Índia, com uma proposta de solução não militar.

Relações Diplomáticas

Mesmo sem grandes progressos, o diplomata brasileiro disse que o seu país não rompeu relações diplomáticas com a Síria.

“A conferência de Genebra 2 poderia também ter representado um outro passo que  ajudasse a consignar uma plataforma de encaminhamento político. Um brasileiro preside a Comissão de Investigação de Direitos Humanos na Síria, o professor Paulo Sérgio Pinheiro. Essa comissão tem elaborado uma série de recomendações que não têm sido necessariamente seguidas. A ideia de que se recomendasse um embargo e armas na Síria. Está na hora de se interromper esse dialogo de surdos e de se promover um entendimento entre os atores que podem fazer uma diferença.”

Resoluções

O Brasil mantém aberta a sua embaixada em Damasco, mas  Patriota disse que isso “não significa uma tomada de partido a favor de um dos atores”. Patriota está deixa o posto em Nova York em direção a Roma.

No sábado, o Conselho de Segurança não chegou a um acordo para interromper a violência na cidade síria de Alepo. O órgão não aprovou duas resoluções que pretendiam alcançar um cessar-fogo na área.

*Apresentação: Michelle Alves de Lima.

 

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