Brasileiros na Minustah constroem poços artesianos para comunidade no Haiti
BR

4 outubro 2016

Soldados brasileiros da Missão da ONU no Haiti, Minustah, participaram da ação para beneficiar os moradores de Pilate, nas montanhas do país; alunos da escola local e pacientes de cólera do hospital aprovaram a iniciativa.

Monica Grayley, da Rádio ONU.

Cerca de 40 mil pessoas que vivem no norte do Haiti estão presenciando a construção de um poço artesiano, localizado perto do hospital e da escola do bairro.

O vilarejo se chama Pilate e fica nas montanhas haitianas. São 220 km da capital Porto Príncipe, mas a viagem para chegar pode durar até 10 horas por causa do estado das estradas.

Políticos

A construção do poço era mais que necessária devido aos problemas com falta d’água que durou meses. Segundo os moradores, a situação foi agravada por confrontos que culminaram na sabotagem do sistema de fornecimento de água em dezembro.

A construção é feita por soldados brasileiros e outros cidadãos estrangeiros que estão no Haiti para ajudar. A diretora-executiva do Hospital A Esperança, irmã Louisa Bélanger, contou que a divisão entre os dois lados políticos terminou punindo os moradores de Pilate.

Nesta entrevista, o tenente Michell Vanderson conta como o sonho começou.

Material

“A gente vai realizar uma compactação aqui com o famoso sapinho que a gente chama no Brasil. É um compactador manual para deixar o solo bem aplainado para a gente lançar o material de brita, que seriam umas pedras ali, para fazer uma camada e aí colocar a armação da malha, e posteriormente o concreto, para poder finalizar.”

A diretora do hospital contou que, por causa da briga, um dos lados cortou o fornecimento de água para a comunidade.

Com isso, muitos moradores tiveram que conseguir água fora, num local de difícil acesso, numa área montanhosa e de estradas em condições ruins.

Além disso, Pilate foi considerada em novembro do ano passado por autoridades haitianas, uma das 15 comunidades “em alerta vermelho” na lista de surtos de cólera.

Para reverter a situação, no Dia Internacional da Água em 22 de março, um grupo de funcionários da ONU, liderados pelo vice-representante especial do secretário-geral no Haiti, visitou o local e se reuniu com gente da comunidade para avaliar o quadro após o ato de sabotagem.

Vigilância

Mourad Wahba foi acompanhado de representantes do Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, da Organização Mundial da Saúde, OMS, e do Escritório da ONU para Coordenação de Assistência Humanitária, Ocha.

Integrava este grupo também o pessoal da Missão da ONU no Haiti, Minustah.

Para Wahba, o retorno da água tinha que ser acompanhado por um mecanismo de vigilância. Segundo ele, a medida ajudaria a manter o sistema funcionando a longo prazo.

Para ele, a conscientização cívica dos moradores de Pilate é fundamental para o sucesso da empreitada.

O prefeito da cidade e organizações não-governamentais também participaram da reunião, além da Irmã Louisa que pediu o apoio da ONU.

A iniciativa deu certo: o coordenador humanitário se comprometeu a apoiar a cidade e pediu planos às autoridades locais sobre proteção e gerenciamento do recurso. Enquanto isso, a Minustah transportava a água em caminhões pipa até a

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Foto: Minustah

comunidade, de duas a três vezes por semana. A medida ajudou o hospital e a escola locais.A irmã Louisa afirmou que a Missão da ONU foi uma grande ajuda e que foram realmente os integrantes da Minustah que fizeram chegar a água.

Por causa da água, o hospital voltou a operar cerca de 100 pessoas que estavam na fila.

Durante o pico do surto de cólera entre novembro do ano passado e janeiro deste ano, em Pilate, foram tratados de 30 a 40 casos.

Mourad Wahba concordou ainda com a construção de dois novos poços, todos feitos pelo pessoal da Minustah – para melhora a situação da escola e do hospital de Pilate.

O projeto está atraindo o apoio de todo os Sistema da ONU no Haiti.

A chefe da Missão, Sandra Honoré, está pessoalmente envolvida na iniciativa, segundo a porta-voz dela, Ariane Quentier.

Já os soldados de paz do Brasil estão colocando a mão na obra: fazendo as bases de concreto para proteger a estrutura do poço, instalando um gerador e uma bomba d’água, ao mesmo tempo que cavam os poços de 100 metros cada. O tenente Michell Vanderson, lembrou que foi difícil chegar com o equipamento ao local devido a falta de acesso direto.

“Iremos construir esta fundação para posteriormente ser colocado esse gerador tanto aqui como no outro poço.”

A construção dos poços precisou de 65 toneladas de equipamentos transportados num comboio de 14 carros da ONU.

Mas agora, o trabalho chegou ao fim e é hora de conectar a construção a um sistema de abastecimento de água, o que deve ser concluído em breve.

Esta é a esperança dos pacientes do Hospital de Pilate e dos alunos da escola local. Segundo eles, é hora de se tornar independente de fontes externas. Para a irmã Louisa, que começou o projeto com a ONU, ninguém deve ser afetado por instabilidades políticas para conseguir água, porque a água é vida.

*Com reportagem da Minustah. Haiti. Imagens e áudio: Pierre Cote.

Assista ao vídeo: 

Vídeo: Construção de poços em Pilate, Haiti

 

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