Representante da ONU diz que Alepo está sendo “espancada”
BR

3 outubro 2016

Stephen O’Brien afirma que 275 mil pessoas estão sob cerco na cidade da Síria, enfrentando bombardeios e risco de assassinato; ele fala em “nível de selvageria a qual nenhum humano deveria ser submetido”.

Leda Letra, da Rádio ONU em Nova York.

O subsecretário-geral da ONU para Assistência Humanitária está muito alarmado com a situação em Alepo, no norte da Síria. Para Stephen O’Brien, a cidade está “sendo espancada” e 275 mil pessoas estão sob cerco.

Bombardeios e ataques continuam num nível “chocante”, enquanto civis são mortos e “sujeitos a um nível de selvageria a qual nenhum humano deveria ser submetido”.

Hospitais

Ao fazer as declarações sobre a cidade síria, O’Brien também falou sobre o sistema de saúde, que está destruído. Recentemente, três hospitais foram atacadados, incluindo um centro pediátrico que atendia milhares de crianças doentes ou feridas.

Com a falta de água potável e de comida, o número de pessoas que precisam de assistência médica deve aumentar nos próximos dias. O representante da ONU revela que os civis em Alepo estão aterrorizados, cercados e sem ter para onde ir, sujeitos a bombas, morteiros e ataques com armas.

Stephen O’Brien fala em uma “corrida contra o tempo para proteger e salvar os civis no leste da cidade síria”. Segundo ele, é necessário “ação urgente para acabar com esse inferno, e palavras não são suficientes”.

Horror

O’Brien faz um apelo “pelo bem da humanidade”, pedindo a todos os lados em conflito para acabarem com todas as ações que resultam na morte de civis e na destruição de infraestruturas.

É necessário também um sistema para retirar da cidade todos os que precisam de assistência médica, além do acesso sem restrições de trabalhos humanitários no local. Para O’Brien, agora é “hora de reconhecer a gravidade do horror na Síria e agir antes que seja tarde”.

O presidente do Comitê da ONU sobre os Direitos da Criança também se pronunciou sobre a situação em Alepo, lembrando que Síria e Rússia ratificaram a Convenção sobre os Direitos da Criança.

Medicamentos

Benyam Dawit Mezmur explica que por isso, as crianças não podem ser recrutadas para o combate nem utilizadas como soldados. Os menores de idade não podem ser alvo do conflito, nem as infraestruturas frequentadas por crianças, como escolas e hospitais.

O especialista em direitos humanos ressalta que mesmo se a guerra na Síria acabasse hoje, “seriam necessárias décadas para que Alepo e outras cidades se recuperassem da destruição”, sem contar o tempo para que as crianças se recuperem dos traumas psicológicos impostos pelo conflito.

No domingo, a Organização Mundial da Saúde, OMS, conseguiu entregar 11 toneladas de medicamentos na cidade de Al-Qamishli, no noroeste da Síria. Esse foi o primeiro lote que chegou por avião na área desde dezembro do ano passado.

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