Citando “década dramática”, Ban afirma que Acnur é simbolo da esperança
BR

3 outubro 2016

Secretário-geral participou da abertura da reunião anual do Comitê Executivo da Agência da ONU para Refugiados; com 65 milhões de deslocados, Ban Ki-moon diz que esta não é uma crise de números, é uma crise de solidariedade.

Leda Letra, da Rádio ONU em Nova York.

O secretário-geral da ONU participou nesta segunda-feira da abertura da reunião do Comitê Executivo da Agência da ONU para Refugiados, Acnur. O encontro ocorreu em Genebra, na Suíça.

Ban Ki-moon, que deixa o cargo em 31 de dezembro após 10 anos, afirmou que esta tem sido “uma década de eventos dramáticos e desafios épicos”. Ele citou conflitos, mudança climática e deslocamentos forçados, situações que “traumatizaram milhões de pessoas”.

Sírios

O chefe da ONU garante que a organização faz o melhor possível para responder ao desafio, com recursos cada vez mais escassos. Atualmente, existem 65 milhões de deslocados internos e refugiados no mundo, sendo que há 10 anos, o total era menos da metade.

Segundo Ban Ki-moon, o marca do Acnur representa um “símbolo de esperança” para essas pessoas. Ao comitê da agência, ele mencionou a difícil condição dos sírios, em especial de 6 milhões de crianças nascidas no país.

O secretário-geral lembra que a situação na Síria é uma das mais dramáticas e trágicas do mundo, mas destacou que é preciso pensar também nos milhões de refugiados em países como Iêmen, Afeganistão, Burundi, República Centro-Africana e Sudão do Sul.

Solidariedade

Apesar dos números serem alarmantes e representarem vidas, Ban Ki-moon avalia que essa não é uma crise de números, mas sim uma crise de solidariedade. E com liderança e compaixão, é possível resolver o problema, na opinião dele.

Citando a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, o secretário-geral falou que as Nações Unidas tem um plano para melhorar a vida dos pobres e vulneráveis e que a organização está fazendo de tudo para mobilizar países num espírito de solidariedade.

Asilo

Ban afirmou que a história julgará os resultados, mas pediu que compromissos sejam transformados em ação.

Por sua vez, o alto comissário da ONU para Refugiados, Filippo Grandi, explicou que as pessoas “estão a se deslocar mais depressa, em distâncias maiores e por um número mais complexo de razões, mais do que em qualquer período da história”.

O chefe do Acnur lamenta que o direito ao asilo e valores como tolerância e solidariedade estejam enfraquecidos pela xenofobia, retórica nacionalista e discursos políticos que relacionam os refugiados com o terrorismo e problemas de segurança.

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