Tamanho da economia de África pode estar subestimado em 20%, diz Lopes

30 setembro 2016

Chefe da Comissão Económica para África disse que continente pode ter acesso a mais investimentos para a infraestrutura; atrasos nas contas dos países fazem avaliar valor da economia para baixo.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

O problema de estatísticas em África faz com que o peso que é dado às suas economias tenha um valor mais baixo que o real.

A declaração foi feita pelo secretário executivo da Comissão Económica para África, ECA, que coordena as questões económicas e sociais do continente. Carlos Lopes anunciou que este outubro deixa de liderar a ECA.

Volume

“Nós avaliamos, na Comissão Económica para África, cerca de 21% mais de Produto Interno Bruto, PIB, do que aquilo que África declara por causa de problemas técnicos. É super interessante porque isso mostra, por exemplo, que se África tem, por exemplo, US$ 1,4 trilião de volume económico, que é um volume comparado ao da Índia ou se calhar um pouco maior, isso significa que pode endividar-se ainda mais, pode ter mais acesso ao capital para fazer infraestrutura etc.”

A falta de dados claros sobre a economia do continente é considerada um dilema de crescimento, ao lado da forte dependência das exportações de matérias-primas e da falta de investimentos.

Estatísticas

“Isso influencia quanto é que você pode pedir em termos de empréstimos, que divida pode ter, quais são as possibilidades de acesso ao capital, como é que deve ser instruída a bolsa. Tem uma implicação muito maior do que se imagina. Não é um problema de meia dúzia de pessoas que fazem estatísticas. Tem uma influência na forma como se avalia o país. Essa subestimação do conjunto da economia africana tem a ver com atrasos na adoção de metodologias de contas nacionais e é um problema que parece muito técnico, tem alguma tecnicidade, mas transforma-se em problema de política económica.”

O Banco Mundial revelou que  este ano o continente deve registar o seu crescimento mais baixo em mais de duas décadas, com um possível avanço de 1,6%. O valor corresponde a quase metade do crescimento de 2015.

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