Cientistas analisam direitos de robôs e possibilidade de máquinas com emoções
BR

30 setembro 2016

Relatório preliminar divulgado neste mês avalia questões éticas relacionadas ao uso de robôs autônomos e suas interações com seres humanos; especialistas analisam possibilidade de relações sexuais e até paixão entre seres humanos e máquinas.

Michelle Alves de Lima, da Rádio ONU em Nova York.

Um painel de especialistas em ética da ciência e tecnologia está explorando a possibilidade de robôs se tornarem “máquinas morais”, inclusive com direitos legais no caso de eles desenvolverem a habilidade de sentir emoções e distinguir entre o certo e o errado.

Em relatório preliminar divulgado neste mês, um grupo de trabalho sobre tecnologias emergentes disse que “dependendo dos avanços futuros nessa área, a possibilidade de os robôs desenvolverem emoções e até estatuto moral não deve ser descartada”.

Algorítimos

Esse grupo faz parte da Comissão sobre a Ética do Conhecimento Científico e Tecnológico (Comest), órgão científico consultivo da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura, Unesco.

O documento avalia questões éticas relacionadas ao uso de robôs autônomos e como os seres humanos interagem com eles. Segundo os especialistas, “o rápido desenvolvimento de robôs autônomos altamente inteligentes deve desafiar a classificação atual de seres de acordo com o seu estatuto moral, de forma igual ou até mais profunda que o movimento dos direitos dos animais”.

De acordo com o relatório preliminar, supondo que os robôs do futuro se tornem ainda mais sofisticados, talvez até a ponto de aprenderem com experiências anteriores e se autoprogramarem, a natureza de seus algorítmos (que são um conjunto de instruções precisas de como o robô deve operar) deve se tornar um problema digno de “séria atenção ética e reflexão”.

Senso de Humor

Embora a maioria dos estudiosos que trabalham com ética dos robôs concorde que eles ainda estão longe de se tornarem “agentes éticos” como os humanos, há especulações de que os robôs possam adquirir, no futuro, características como senso de humor. E os especialistas até consideram a possibilidade de os humanos terem relações sexuais ou se apaixonarem por essas máquinas.

Códigos Éticos

Segundo o documento, a autonomia dos robôs deve crescer de forma que sua regulação ética se torne necessária. Isso seria feito através da programação dessas máquinas com códigos éticos criados especificamente para prevenir comportamentos que coloquem em risco os seres humanos ou o meio ambiente.

O estudo, no entanto, levanta uma questão importante: quem deve assumir a responsabilidade ética e legal nos casos de um mau funcionamento de um robô, que acabe por prejudicar de alguma forma os seres humanos?

Mundo Real

O documento ressalta que o campo da robótica ainda é pouco regulado, tanto éticamente quanto legalmente, provavelmente por ser uma área de pesquisa relativamente nova e que muda constantemente, cujo impacto no mundo real é difícil de antecipar.

Por fim, os especialistas consideram ser provável que o mau funcionamento nos sofisticados robôs de hoje em dia, como robôs armados utilizados para fins militares ou então carros robóticos autônomos saindo do controle, seja capaz de infligir danos significativos em um grande número de pessoas.

A dúvida é, portanto, não somente se os roboticistas devem respeitar certas normas éticas, mas se certas normas éticas devem ser programadas nos próprios robôs.

 

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