Bons parceiros de África devem investir no avanço industrial

29 setembro 2016

Secretário executivo da Comissão da ONU para África revela que essa perceção pode ter levado a China a mudar estratégia de parceria com o continente; setor privado dos EUA é o que mais investe no continente.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

O secretário executivo da Comissão Económica das Nações Unidas para África disse que “parceiros amigos” dos países da região são os que mais investem na industrialização.

Carlos Lopes explicou recentemente à Rádio ONU, em Nova Iorque, que economias como a China “já deram conta disso e estão a alterar a sua estratégia de parceria.”

Desenvolvimento

Até 2018, o plano das duas partes é fazer avançar áreas como industrialização, agricultura, modernização, construção de infraestrutura, serviços financeiros, desenvolvimento ecológico, comércio e investimento.

“África pode ser um bom terreno de comércio como é o caso, por exemplo, da nossa relação com a China. É o principal parceiro comercial do continente com US$ 220 bilhões de transações. Mas a China é o número seis em termos de investimento. Se formos a ver, o tipo de investimento está em evolução neste momento mas só uma parcela muito pequena, até agora, era dedicada à industrialização. Há uma parceria, claro que se vê, com aeroportos estradas e com exportações. Mas não é sustentável, não vai constituir ponte para a criação de empregos em massa e nem para a transformação económica do continente.”

O também secretário-geral adjunto da ONU disse que se esse plano África-China for executado vai representar uma reviravolta na parceria com o país asiático.

Matérias-primas

O especialista destacou, no entanto, que os principais investidores tradicionais africanos continuam a destacar-se.

“O principal investidor, se for agregado, é a União Europeia. Se for desagregado ainda assim tem dois ou três ou quatro países, que veem à frente da China. O principal parceiro de investimento ainda são os Estados Unidos. Nós continuamos a contar muito com esse tipo de parcerias que são, estou a referir-me ao investimento, fundamentalmente do setor privado.”

Lopes disse que a turbulência causada pelas matérias-primas afeta a estrutura de economias africanas, que pode ter um crescimento económico de pouco menos de 3% em 2016.

 

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