Estados-ilha sofrem com falta de terra para plantio e altas taxas de obesidade

26 setembro 2016

Vice-diretora geral da FAO destaca “custos enormes” causados pelo problema para a saúde pública dessas pequenas nações; agência ajuda a produzir comida para Estados que incluem os lusófonos Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Guiné-Bissau.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.*

A vice-diretora geral da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, FAO, disse que a obesidade só perde para o problema da falta de terras nos esforços para garantir a nutrição nos pequenos países insulares.

Em conversa com a Rádio ONU, em Nova Iorque, Maria Helena Semedo mencionou países como Cabo Verde e São Tomé e Príncipe. Ela revelou que a produção alimentar no grupo de nações já é fraca porque estas têm mais mar do que terra e que para melhorar a nutrição há que lidar com vários desafios.

Custos

“Como não produzem o suficiente para se alimentarem, eles importam e quando importam a população com baixo rendimento tem tendência de consumir os alimentos mais baratos, alimentos esses que não têm o pré-requisitos para uma boa alimentação, uma alimentação saudável. Têm muito açúcar, muita gordura e conservantes, e isso contribui para a hipertensão e a obesidade e com custos enormes para sistemas de saúde pública.”

Entre os lusófonos, as taxas de malnutrição e opções que levam à obesidade estão em torno de  3,5% na Guiné-Bissau. São Tome e Príncipe tem um índice de 5,7% e Cabo Verde 15,7%.

Biodiversidade

Maria Helena Semedo destacou o impacto da vulnerabilidade e das mudanças climáticas nos pequenos  países-ilha onde a perda da biodiversidade reflete-se no desaparecimento de espécies marinhas.

“A FAO trabalha com várias agências das Nações Unidas na implementação do Samoa Pathway, o pacto do que houve em Samoa em 2015, quando tivemos a cimeira dos pequenos Estados insulares. A FAO é encarregue do programa global de segurança alimentar. Estamos a trabalhar para todos os países insulares e pensamos que esse plano vai ajudar a dar resposta a essas questões.”

Alimentos Importados

A responsável explicou que nesses Estados, as famílias pobres são as que tendem a escolher e a consumir mais alimentos importados altamente calóricos, com alto teor de gordura ou muito doces.

Essas dietas são mais acessíveis do que as dos alimentos mais saudáveis como carnes magras, peixes, vegetais frescos e frutas.

*Apresentação: Michelle Alves de Lima.

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Entrevista: José Graziano da Silva | Rádio das Nações Unidas

 

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