“Sudão do Sul lutou por independência e agora luta para sobreviver”

22 setembro 2016

Palavras foram proferidas pelo secretário-geral da ONU em reunião de alto nível sobre o país mais novo do mundo; plano humanitário tem défice de US$ 700 milhões.

Leda Letra, da Rádio ONU em Nova Iorque.

Foi realizado esta quinta-feira, na sede das Nações Unidas em Nova Iorque, um encontro de alto nível sobre o Sudão do Sul. O secretário-geral da ONU discursou na reunião e destacou que a situação do país é crítica.

Ban Ki-moon lembrou que o Sudão do Sul passou anos a lutar por sua independência, mas agora o país luta para sobreviver. Assim, “crianças, mulheres e homens estão a pagar com suas vidas”.

Abusos Sexuais

O chefe da ONU mencionou ataques que mataram dezenas de milhares de pessoas e forçaram 2,6 milhões a fugirem de suas casas devido à onda de violência. Além disso, 6 milhões de pessoas, ou metade da população, necessita receber algum tipo de assistência, sendo que a maioria enfrenta dificuldades para obter comida.

Ban lembrou que esteve no Sudão do Sul em fevereiro, mas desde então, a situação piorou. Ele mencionou “estupros em larga escala, sendo que na capital, Juba, foram documentados 217 casos de violência sexual” somente no mês de julho.

Financiamento

Trabalhadores humanitários não estão imunes: 63 foram mortos desde o início da crise e muitos outros foram detidos, abusados ou sofreram ameaças.

O secretário-geral destacou que lançou uma investigação especial sobre a resposta das tropas de paz da ONU durante a violência em julho.

Enquanto isso, garantir ajuda humanitária para a população é prioridade, mas falta financiamento: o défice do Plano Humanitário para o Sudão do Sul chega a US$ 700 milhões.

Pressão

Ban Ki-moon também lamentou o facto de que a ONU recebeu menos de 20% do valor necessário para ajudar os refugiados sul-sudaneses e as comunidades que os abrigam nos países vizinhos.

Aos líderes mundiais presentes no encontro, o secretário-geral fez um pedido: para que coloquem pressão nos partidos e líderes do Sudão do Sul, afim de evitar que o país entre num estado ainda maior de violência e de necessidades.

Ban espera que o acordo de paz assinado há mais de um ano seja respeitado, para que a “jovem nação, já fraturada, seja reconstruída”.

 

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