Na Assembleia Geral, Temer pede uma ONU “de resultados”
BR

20 setembro 2016

Em seu primeiro discurso no órgão, presidente brasileiro afirma que organização não pode se resumir a “um posto de condenação de flagelos internacionais”; ele também fala sobre democracia do Brasil.

Leda Letra, da Rádio ONU em Nova York.

Foi inaugurada na manhã desta terça-feira, em Nova York, a 71ª sessão dos debates de alto nível da Assembleia Geral da ONU. Pela tradição, o chefe de Estado do Brasil é o primeiro a discursar no evento.

Este ano marcou a primeira vez que o presidente Michel Temer abriu os debates de líderes internacionais desde que assumiu o posto. Ele afirmou que o Brasil é o país da “diversidade”, que acredita no poder do diálogo. Segundo ele, existe um sentimento de “perplexidade” diante da tragédia dos refugiados e do aumento de ações terroristas no mundo.

Soluções

O presidente Temer aproveitou para fazer sua avaliação sobre o trabalho das Nações Unidas.

“Queremos uma ONU de resultados, capaz de enfrentar os grandes desafios do nosso tempo. Nossos debates e negociações não podem confinar-se a estas salas e corredores. As Nações Unidas não podem resumir-se a um posto de observação e condenação dos flagelos mundiais. Deve afirmar-se como fonte de soluções efetivas. Os semeadores de conflitos se reinventaram. As instituições multilaterais, não.”

Michel Temer lembrou que o Brasil defende, há décadas, a reforma do Conselho de Segurança da ONU, e superar esse impasse é prioridade do governo.

América Latina

Na Assembleia Geral, o presidente falou sobre a preocupação com a “ausência de perspectiva de paz entre Israel e Palestina” e com a “falta de progresso na agenda de desarmamento nuclear”, citando testes recentes feitos pela Coreia do Norte.

Temer também reiterou o apoio brasileiro para a paz na Colômbia, pediu o fim do embargo econômico sobre Cuba e celebrou parcerias com a Argentina. Olhando para os próximos anos, o presidente falou sobre desenvolvimento e combate à mudança climática.

“A Agenda 2030 é a maior empreitada das Nações Unidas sobre o desenvolvimento. Tirá-la do papel demandará mais que a soma de esforços nacionais. É necessário crescer de forma socialmente equilibrada, com respeito ao meio ambiente. O planeta é um só. Não há plano B. Depositarei, amanhã, o instrumento de ratificação pelo Brasil do Acordo de Paris sobre Mudança do Clima.”

Processo Político

Michel Temer também criticou o protecionismo, que é para ele, uma “barreira perversa” ao desenvolvimento e responsável por “subtrair postos de trabalho” e levar muitos brasileiros ao desemprego. O presidente defendeu também o fim do protecionismo agrícola.

Aproveitando a presença na Assembleia Geral da ONU de tantos líderes mundiais, Temer se pronunciou sobre a situação política no Brasil.

“O Brasil acaba de atravessar um processo longo e complexo, regrado e  conduzido pelo Congresso Nacional e pela Suprema Corte Brasileira, que culminou em um impedimento. Tudo transcorreu dentro do mais absoluto respeito constitucional. O fato de termos dado esse exemplo ao mundo verifica que não há democracia sem Estado de Direito, sem que se aplique a todos, inclusive aos mais poderosos.”

Discursos

O presidente do Brasil encerrou seu discurso afirmando que sua meta é retomar o crescimento econômico e criar empregos. Segundo Michel Temer, a Assembleia Geral da ONU traz uma oportunidade para se cultivar a esperança, uma “esperança conquistada no diálogo”.

A sessão de debates da Assembleia Geral segue até a próxima segunda-feira, dia 26 de setembro.

Leia e ouça todas as reportagens sobre a 71ª Assembleia Geral da ONU

 

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