Já passa de 1 milhão o total de refugiados do Sudão do Sul

19 setembro 2016

Com a marca, país está ao lado da Síria, do Afeganistão e da Somália como as nações que produziram o maior número de refugiados da atualidade; Acnur explica que muitos sobreviveram a ataques violentos e a abusos sexuais.

Leda Letra, da Rádio ONU em Nova Iorque.*

O total de refugiados sul-sudaneses a viver em países vizinhos bateu a marca de mais de 1 milhão, informa a agência da ONU para refugiados, Acnur.

Com isso, o Sudão do Sul passa a fazer parte do grupo de países que já produziram mais de 1 milhão de refugiados, ao lado da Síria, do Afeganistão e da Somália.

Crianças

Na sexta-feira, o porta-voz da agência, Leo Dobbs, disse que a maioria dos que fogem do Sudão do Sul é composta de mulheres e crianças. Entre eles estão sobreviventes de ataques violentos e violações sexuais, menores separados de suas famílias, idosos e pessoas com deficiência. Muitos estão precisando de cuidados médicos urgentes.

Mais de 75% das pessoas que deixaram o Sudão do Sul recentemente foram para o Uganda, mas também há um grande número de sul-sudaneses no oeste da Etiópia, na região de Gambella. Alguns foram para o Quénia, República Centro-Africana e a República Democrática do Congo, RD Congo.

O Sudão do Sul, o mais novo país da ONU, completou cinco anos de existência em meio a uma grave crise de violência entre os simpatizantes do presidente Salva Kiir e do ex-vice-presidente Riek Machar.

Sede e fome

Centenas de milhares de pessoas estão precisando de ajuda. Mais de 1,6 milhão são deslocadas internas. Ao todo, o Uganda está a abrigar mais de 373 mil refugiados do conflito sul-sudanês.

Muitos refugiados chegam exaustos ao país de asilo após caminharem a pé vários dias pelo mato com sede e com fome. Muitas crianças ficaram órfãs de pai, mãe ou ambos.

Várias crianças mais velhas acabam tendo que cuidar dos irmãos menores.

O país vizinho, Sudão, está a abrigar o terceiro maior número de refugiados sul-sudaneses com mais de 247 mil pessoas que continuam a entrar na nação pelo leste de Darfur ou os estados do Nilo Branco.

Os refugiados também se deslocam, em menor número, para o Quénia, a RD Congo e a República Centro-Africana desde o retorno dos combates em julho. O Acnur avisou que sem apoio, a agência e seus parceiros terão dificuldade para assistir quem precisa.

O Acnur pediu mais de US$ 700 milhões para suas operações no Sudão do Sul. Apenas 20% do apelo foi atendido.

*Apresentação: Monica Grayley.

 

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