PIB da economia palestina poderia ser o dobro sem ocupação de Israel
BR

6 setembro 2016

Relatório da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento, Unctad, sugere que reconstrução lenta desde a operação militar em Gaza, em 2014, tem prejudicado a produção e o crescimento palestinos.

Monica Grayley, da Rádio ONU.

Um relatório da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento, Unctad, afirma que a ocupação de Israel nos territórios palestinos tem um custo tremendo para a economia.

De acordo com a Unctad, o Produto Interno Bruto, PIB, palestino poderia ser o dobro do que é sem a presença israelense na área.

Desenvolvimento social

A Rádio ONU conversou com Rolf Traeger, da Unctad, em Genebra. Segundo ele, quando os Acordos de Oslo foram assinados, na década de 90, havia uma grande expectativa de crescimento econômico e mais desenvolvimento social.

Mas esta esperança acabou frustrada por causa de incursões militares e da falta de diálogo entre as duas partes.

Para Traeger, existe “muito potencial não-aproveitado” entre palestinos e Israel.

Valor agregado

“Há que pensar, por exemplo, que a população palestina é a população mais bem educada de todo o mundo árabe. Isso significa que em termos de mão de obra, a Palestina tem uma população muito bem qualificada, o que permitiria o desenvolvimento de atividades econômicas muito sofisticadas e de alto valor agregado.”

Traeger afirmou que, pela primeira vez em 50 anos, houve um aumento da taxa de mortalidade de neonatos. Entre 2008 e 2014, passou de 12 por mil para 20 por mil.

O relatório da Unctad sobre assistência aos palestinos analisou ainda vários estudos que mostram como os palestinos são privados do direito humano ao desenvolvimento por causa das políticas atuais.

Expansão

Entre os direitos estariam o de ir e vir, restrição sobre a circulação de bens, recursos naturais, terra e água confiscados, destruição de ativos e de uma base de produção e a expansão de assentamentos israelenses.

Para a Unctad, existe um isolamento de outros mercados e uma forte dependência do mercado israelense para os palestinos.

O relatório cita ainda a chamada área C, que responde por mais de 60% da terra de pastagem na Cisjordânia, mas que não é acessível aos produtores palestinos. Estima-se que a ocupação desta região somente tenha causado uma perda equivalente de 35% do PIB ou US$ 4,4 bilhões no ano passado.

Assembleia Geral

Já em Gaza, os produtores palestinos tiveram acesso negado à metade da área de cultivo e 85% dos recursos de pesca. Os custos das operações militares de Israel entre 2008 e 2014 são pelo menos três vezes o tamanho do PIB de Gaza.

A Assembleia Geral da ONU aprovou duas resoluções (69 e 70) sobre o tema. O relatório da Unctad propõe o estabelecimento de um sistema rigoroso e abrangente para avaliar o custo econômico da ocupação.

De acordo com os economistas da agência, a reconstrução lenta desde a operação militar de Israel em Gaza, em 2014, impactou o comércio e o desenvolvimento de forma negativa.

Comércio

O secretário-geral da Unctad, Mukhisa Kituyi, afirmou que o comércio é o pilar do desenvolvimento econômico e para crescer de forma sustentável é preciso obter mais comércio e com melhor qualidade.

Já o chefe da ONU, Ban Ki-moon, acredita que o bloqueio a Gaza sufoca a economia e impede a reconstrução da área. Segundo ele, o fechamento é uma espécie de “punição coletiva” para a qual deve haver uma prestação de contas.

De acordo com o governo de Israel, em declarações passadas nas Nações Unidas, o bloqueio à área é necessário por uma questão de segurança dos israelenses por causa do número de ataques e agressões que partem de Gaza e outras áreas palestinas contra Israel.

 

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