Painel destaca papel histórico de brasileira na fundação da ONU
BR

5 setembro 2016

Segundo pesquisadoras, Bertha Lutz teve papel fundamental na questão dos direitos das mulheres; cientista participou da Conferência de São Francisco, onde foi assinada a Carta da ONU.

Laura Gelbert, da Rádio ONU em Nova York.

Várias latino-americanas tiveram “papel fundamental” para garantir que as mulheres fossem mencionadas de forma explícita na Carta da ONU. Destas, a brasileira Bertha Lutz teve papel de destaque.

Esse foi o tema de um painel realizado na sexta-feira na sede das Nações Unidas em Nova York por duas pesquisadoras do Centro para Estudos Internacional e Diplomacia da Escola de Estudos Orientais e Africanos, Soas, em Londres, Elise Dietrichson e Fatima Sator. O painel teve a participação do embaixador do Brasil junto às Nações Unidas, Antonio Patriota.

Direitos das Mulheres

Em entrevista à Rádio ONU, Elise Dietrichson lembrou que a Carta foi o “primeiro acordo internacional que menciona que direitos das mulheres são parte de direitos humanos fundamentais”. Ela ressaltou ainda a importância que isto tem no trabalho feito pela ONU Mulheres atualmente.

A pesquisadora disse que ao olhar as minutas da Conferência de São Francisco, onde a Carta da ONU foi assinada, viu que foram as delegadas latino-americanas que lutaram pela menção específica a mulheres.

Direitos das Mulheres

Já Fatima Sator falou sobre os três principais tópicos apresentantados pelas pesquisadoras.

Segundo Sator, “o feminismo não está vindo do Ocidente”. No painel, ela destacou ainda ser preciso reconhecer o trabalho dessas mulheres da América Latina e da brasileira Bertha Lutz, especificamente.

Por fim, a pesquisadora defendeu ser muito importante ter modelos para a autonomia das mulheres em geral.

Desenvolvimento Sustentável

Os países membros da ONU adotaram no ano passado um novo plano de desenvolvimento, conhecido como Agenda 2030 de Desenvolvimento Sustentável, com 17 objetivos e 169 metas.

Entre esses está o Objetivo número 5: alcançar a igualdade de gênero e dar autonomia todas as mulheres e meninas.

Para Elise Dietrichson, a ONU tem um papel “extremamente importante” para que esse objetivo seja alcançado até 2030, mas também “enfrenta grandes desafios”.

Já Fatima Sator defende que “há um pouco do ODS 5 em cada um dos 17 objetivos”.  Segundo a pesquisadora, não se pode “fingir que há boa saúde ou bem-estar se não há igualdade de gênero”.

Para ela, o ODS 5 permite que os outros 16 sejam alcançados.

Constituição do Mundo

No fim da entrevista à Rádio ONU, Elise Dietrichson, citou uma frase de Bertha Lutz na Conferência em São Francisco em que fala sobre o Artigo 8 que diz que as mulheres têm os mesmos direitos que os homens no sistema das Nações Unidas.

Segundo Dietrichson, Bertha Lutz afirmou que “o Artigo 8 é uma contribuição para a Constituição do mundo”.

Para a pesquisadora, a frase é “muito poderosa e extremamente impressionante e importante”.

Leia e Ouça:

ONU 70: A participação do Brasil nas Nações Unidas

 

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