PMA: 1,3 milhão de alunos africanos podem ficar sem merenda escolar

30 agosto 2016

Agência da ONU explica que falta de financiamento pode prejudicar entrega de comida durante a volta às aulas em Mali, Camarões, Mauritânia e Níger; projeto da agência reduziu em 90% nos últimos anos.

Leda Letra, da Rádio ONU em Nova Iorque.

Mais de 1,3 milhão de crianças na África Central e Ocidental correm risco de não receberem refeições nas escolas. O alerta foi feito esta terça-feira pelo Programa Mundial de Alimentação, PMA.

Sem financiamento necessário, a agência está a se ver obrigada a reduzir seus projetos nas escolas africanas. Segundo o PMA, alguns países mudaram seus mecanismos de financiamento e muitos doadores têm agora outras prioridades.  

Reduções

A falta de refeições escolares deve afectar, no próximo mês, alunos nos Camarões, em Mali, na Mauritânia e no Níger. Se o PMA não receber financiamento, outras 700 mil crianças poderão ficar sem merenda em 11 países.

No Chade, a falta de dinheiro levou a agência da ONU a reduzir seus programas de merenda escolar em mais de 90% nos últimos três anos. Desde 2013, o número de crianças beneficiadas caiu de 200 mil para 15 mil.

Conflitos

No Senegal, os fundos serão necessários para entregar refeições a menos de um quinto dos alunos. Na Mauritânia e nos Camarões, a assistência do PMA precisou ser cortada pela metade em janeiro e em maio.

O problema é que a população de muitos países da África Central e Ocidental já enfrenta fome e malnutrição. Com os conflitos armados, as escolas acabam por ser um refúgio para crianças e muitas vezes o único local onde recebem refeições.

Verba

O PMA necessita, com urgência, de US$ 48 milhões para continuar a entregar refeições para alunos das duas regiões africanas.

Estudos da agência mostram que para cada dólar investido em projetos de merenda escolar, existe um retorno económico entre US$ 3 e US$ 8, uma vez que a produtividade aumenta e quando tornam-se adultos, esses alunos têm mais chances de melhorar a saúde de seus filhos.

Garantir que nenhuma pessoa passe fome no mundo até 2030 faz parte dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Doadores importantes para os projetos do PMA em África são Canadá, União Europeia, Japão, Luxemburgo, Arábia Saudita e Estados Unidos.

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