Crise mostra que a África tem muito a ganhar com transformação de recursos

26 agosto 2016

Análise é do secretário executivo da Comissão Económica das Nações Unidas para o continente; Carlos Lopes cita Cabo Verde e São Tome e Príncipe no conjunto de pequenas economias com um desempenho económico positivo.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.*

O secretário executivo da Comissão Económica da ONU para África, ECA, indicou que uma das lições da atual crise económica é que os recursos naturais devem ser transformados dentro do continente.

Carlos Lopes disse à Rádio ONU de Adis Abeba, na Etiópia, que a venda de produtos para fora da região tem criado “muito poucos postos de trabalho”. África tem os níveis de desemprego em torno de 10%.

Possibilidades

“Nós sabemos, melhor do que sabíamos há 20 anos, que o conjunto das exportações provenientes das matérias-primas tem gerado muito emprego no continente e o facto de não ter havido suficiente acrescento de valor a essas matérias-primas, no próprio continente, é responsável por uma parte da crise. Temos que olhar não tanto para os preços em si, mas sobre as possibilidades dos africanos poderem transformar mais no próprio continente os produtos que a própria natureza oferece.”

O Relatório Económico sobre África 2016 prevê que a região mantenha o nível de desemprego como um todo, apesar da “performance relativamente boa diante da crise económica global”. O continente tem países onde a taxa chega a 30%.

Rendimento e Economia

Lopes explicou que o peso dos recursos naturais nas exportações ainda é muito elevado. Mas apesar de afetar o rendimento e a economia, ele disse que “o peso das matérias-primas não é o principal fator de crescimento desses países”.

“Os desafios mais importantes que têm sido assinalados ultimamente em relação à performance dos países africanos é a questão dos preços das matérias-primas, que é uma forma de associar as fortunas, digamos as perspetivas dos africanos em relação à sua riqueza e aos recursos naturais. Embora haja um pouco de verdade nisto, acho que há um pouco de exagero também porque as economias africanas têm vindo a evoluir.”

Cabo Verde e São Tome e Príncipe

Tomando como exemplo a Nigéria, o maior exportador de petróleo em África,  Lopes explicou que o setor de hidrocarbonetos representa cerca de 16% das receitas do país.  Ele citou uma nova dinâmica dada à economia de vários países pelos investimentos na tecnologia e na inovação.

O chefe da ECA citou Cabo Verde e São Tome e Príncipe ao revelar que “de uma forma geral pequenos países continuam com bom desempenho”, mas chamou a atenção para os desafios menos complexos em relação às maiores economias africanas.

*Apresentação: Leda Letra.

Leia e Oiça:

Apesar de enfrentar ano mais difícil desde 2000, África revela crescimento

Investimento chinês em África pode subir mais de 250% nos próximos três anos

 

♦ Receba atualizações diretamente no seu email - Assine aqui a newsletter da ONU News
♦ Baixe o aplicativo/aplicação para - iOS ou Android
♦ Assista aos vídeos no Youtube e ouça a rádio no Soundcloud