Nigéria: aumento de deslocados pelo Boko Haram provoca crise de proteção

23 agosto 2016

OMS quer baixar taxas de mortalidade; pessoas que precisam de alimentos duplicaram em seis meses; OIM vai ativar nível mais alto da crise humanitária por meio ano da Bacia do Lago Chade.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

As pessoas das áreas recentemente recuperadas das milícias terroristas Boko Haram na Nigéria apresentam “condições de saúde terríveis”, segundo a Organização Mundial da Saúde, OMS.

Após uma avaliação de emergência, a agência revelou esta terça-feira que a situação é vivida por mais de 800 mil pessoas das áreas no nordeste que antes eram controladas pelo grupo.

Taxas de Mortalidade

No estado de Borno, mais de metade das unidades de saúde não funcionam. A OMS e os seus parceiros querem reduzir urgentemente as taxas de morte e de doença com a expansão de serviços essenciais de saúde.

A agência disse haver uma necessidade de “abordar os riscos para a saúde colocados pela desnutrição, surtos de doenças e falta acesso aos serviços básicos de saúde a longo prazo”.

Alimentos

O Programa Mundial de Alimentação, PMA, destaca que o número de necessitados de assistência alimentar aumentou para 4,5 milhões, quase o dobro em relação a março.

Uma análise realizada em meados de agosto destaca um agravamento na economia que pode aumentar o número em milhões, já no próximo mês.

O PMA alerta também para o aumento dos preços alimentares em áreas afetadas pelo Boko Haram. Mais de 65 mil pessoas das áreas recém-libertadas podem estar em situações similares a fome e  ainda estão inacessíveis em Borno e Yobe.

Deslocados

A Organização Internacional para Migrações, OIM, chamou a atenção para o número de deslocados que “cresce rapidamente à medida que agências de auxílio ganham acesso a mais áreas da Nigéria.”

O Boko Haram afeta a região da Bacia do Lago Chade, mas somente no nordeste da Nigéria mais de 2,2 milhões de pessoas foram obrigadas a deixar as suas casas.

O fenómeno já é chamado “deslocamento à larga escala e crise significativa de proteção”.

O diretor geral da OIM, William Lacy Swing, disse que as condições pioraram até atingir os “critérios necessários para ativar o nível 3 de emergência”, considerado o mais alto da crise humanitária.

O responsável disse que esse estado “estará em vigor em seis meses e será aplicável a operações de socorro da agência na Nigéria e às ações nos países vizinhos”. A expectativa é que haja uma maior resposta em recursos e na coordenação para responder à crise humanitária.

 

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