Unicef destaca recrutamento de 650 menores este ano no Sudão do Sul

19 agosto 2016

Receio é que novo conflito exponha dezenas de milhares de menores em maior risco; após visitar cidades do país, representante da agência alerta para violência sexual generalizada contra meninas e mulheres.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

Mais de 650 crianças foram recrutadas por grupos armados no Sudão do Sul em 2016, revelou esta sexta-feira o Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef.

A agência pede às partes armadas no país que “ponham fim imediato ao recrutamento e libertem incondicionalmente a todas as crianças”, por temer que um novo conflito coloque dezenas de milhares em risco cada vez maior.

Compromisso 

De acordo com o Fundo, menores de idade continuam a ser recrutados e usados por grupos armados e pelas forças armadas sul-sudanesas, apesar do compromisso político abrangente para acabar com a prática.

Desde que iniciou a crise no país em 2013, “cerca de 16 mil menores foram recrutados por grupos armados e pelas forças armadas”. Mais de 900 crianças foram desalojadas e 13 mil estão desaparecidas, separadas dos pais ou desacompanhadas.

O diretor executivo adjunto do Unicef, Justin Forsyth,  declarou que “o sonho que todos partilharam para os menores do jovem país tornou-se um pesadelo.”

Após visitar as cidades de  Bentiu e Juba, o responsável disse que “nesta fase precária da curta história do Sudão do Sul o receio é que esteja iminente um novo aumento no recrutamento de crianças.”

Progresso 

No ano passado, a agência da ONU supervisionou a libertação de 1.775 antigas crianças-soldado na que foi considerada “a maior desmobilização de crianças no país”. Para a agência, os novos combates e recrutamentos “podem minar bastante esse progresso no Sudão do Sul”.

A nota agência destaca ainda que aumentaram as violações graves no mais novo país do mundo, com um grande agravamento da violência baseada no género observado na crise atual.

Violência 

Forsyth  destaca o que chama de “terríveis provações sofridas pelas crianças” ao citar  relatos recentes apontando para abuso sexual generalizado a meninas e mulheres.

Ele sublinhou que deve cessar “o uso sistemático do estupro, da exploração sexual e do sequestro como armas de guerra” no país, bem como a impunidade para todos os envolvidos.

Para o Unicef,  é urgente um acesso incondicional a todas as intervenções humanitárias em Juba e as outras partes do país O objetivo é prestar apoio, proteção e assistência às crianças e mulheres.

Forsyth declarou que sem um setor humanitário totalmente operacional, as consequências para as crianças e suas famílias serão catastróficas.

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