Sobrediagnóstico é o que “impulsiona” a epidemia do câncer de tireoide
BR

18 agosto 2016

Estudo da Agência Internacional de Pesquisa sobre Câncer foi publicado nesta quinta-feira; segundo estimativas, entre 50% e 90% de casos em mulheres em países de alta renda seriam sobrediagnosticados.

Laura Gelbert, da Rádio ONU em Nova York.

Um novo relatório da Agência Internacional de Pesquisa sobre Câncer, Iarc, mostra que a crescente epidemia de câncer de tireoide registrado nas últimas décadas em diversos países de alta renda é devido em grande parte ao chamado sobrediagnóstico.

Segundo o órgão, que faz parte da Organização Mundial da Saúde, OMS, sobrediagnóstico significa o “diagnóstico de tumores que tem probablidade muito baixa de causar sintomas ou a morte de uma pessoa”.

Estimativa

O estudo, feito em colaboração com o Instituto Nacional do Câncer Aviano, na Itália, foi publicado nesta quinta-feira no New England Journal of Medicine, uma publicação científica da área de medicina.

O artigo faz uma estimativa no número de casos de sobrediagnóstico em 12 países: Austrália, Coreia do Sul, Dinamarca, Escócia, Estados Unidos, Finlândia, França, Inglaterra, Itália, Japão, Noruega e Suécia.

Ultrassonografia

Segundo Salvatore Vaccarella, o cientista do Iarc que liderou o estudo, países como os Estados Unidos, a Itália e a França foram os mais afetados pelo sobrediagnóstico de câncer de tireoide desde os anos 1980, após a “introdução da ultrassonografia”.

No entanto, ele ressaltou que o “exemplo mais recente e impressionante” é a Coreia do Sul.

Vaccarella afirmou que alguns anos após a ultrassonografia de tireoide se tornar  amplamente difundida, este câncer se tornou o de diagnóstico mais comum em mulheres do país.

Mulheres

Segundo o cientísta do Iarc, na Coreia do Sul, estimativas são de que 90% destes casos entre 2003-2007 são devido ao sobrediagnóstico.

Os cálculos de casos de sobrediagnóstico em mulheres durante o mesmo período varia entre 70% e 80% na Austrália, Estados Unidos, França e Itália. Na Escócia, no Japão, nos países nórdicos e na Inglaterra esta fração é de 50%.

Nos homens, a proporção de casos de câncer de tireoide que seriam sobrediagnosticados é de 70% na Coreia do Sul e na França, 45% na Austrália e nos Estados Unidos e menos de 25% nos outros países examinados.

No total, mais de 470 mil mulheres e 90 mil homens podem ter sido sobrediagnosticados com câncer de tireoide durante duas décadas recentes nos 12 países estudados.

Tratamento

Segundo Silvia Franceschi, uma das autoras do artigo, em muitos dos casos de sobrediagnóstico da doença, os pacientes são submetidos a tratamentos prejudiciais, sem benefícios comprovados em termos de maior sobrevivência.

O diretor do Iarc, Christopher Wild, afirmou que o aumento “drástico” no sobrediagnóstico e “sobretratamento” do câncer da tireoide já é uma “grave preocupação de saúde pública” em países de alta renda, com “sinais preocupantes da mesma tendência em países de rendas média e baixa”.

Para Wild é, portanto, “essencial” haver mais evidências de pesquisas para avaliar a melhor abordagem à epidemia desta doença e evitar “danos desnecessários aos pacientes”.

Leia e Ouça:

OMS alerta que bebidas muito quentes podem causar câncer

OMS classifica como cancerígenas carnes processadas

OMS afirma que câncer não é uma questão de "azar"

Receba atualizações diretamente no seu email - Assine aqui a newsletter da ONU News 

Baixe o aplicativo/aplicação para  iOS ou Android

Assista aos vídeos no Youtube e ouça a rádio no Soundcloud