Marfinenses citam problemas de saúde, 10 anos após incidente com lixo tóxico

17 agosto 2016

Cidadãos de Abidjan associam dores de cabeça, problemas de pele e de respiração com despejo ilegal ocorrido em 2006; especialistas da ONU querem que sejam abordados impactos de direitos humanos devido à ação.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

Seis relatores da ONU* destacaram que moradores de Abidjan, capital da Cote d’Ivoire, continuam sem conhecer as informações sobre os perigos constantes para a sua saúde, 10 anos após o incidente com lixo tóxico despejado pelo cargueiro Probo Koala.

Foi a 19 de agosto de 2006 que mais de 500 toneladas dos resíduos foram lançadas em vários lugares da capital marfinense. Dados oficiais indicam que houve 15 mortos, 69 feridos e outras mais de 108 mil que receberam tratamento após o incidente.

Problemas

O grupo de peritos destaca que vários moradores ainda reclamam do cheiro dos resíduos quando há fortes chuvas, além de dores de cabeça, problemas de pele e de respiração, que acreditam estar ligados ao incidente.

Os especialistas disseram que muitos não tiveram uma solução adequada para os danos causados pela ação.

Há igualmente relatos de pessoas que “não podem pagar o tratamento médico depois de outubro de 2006”, quando foi declarado o fim da assistência gratuita.

Impactos

Os peritos querem que o Governo da Cote d’Ivoire, também conhecida como Costa do Marfim, os Estados responsáveis e a comunidade internacional usem a oportunidade para abordar os impactos de direitos humanos do incidente.

A recomendação feita à Trafigura, empresa local por detrás do chamado "Incidente Probo Koala”, é que apoie o processo.

Os especialistas querem que a companhia divulgue todas as informações “sobre o conteúdo e a natureza dos resíduos despejados, além das prováveis consequências de saúde e ambientais.”

* Relator sobre os Direitos Humanos na Cote d’Ivoire, Mohammed Ayat; relator sobre as Implicações para os Direitos Humanos da Gestão Ambiental Correta, Baskut Tuncak; relator sobre o Direito à Alimentação, Hilal Elver; relator sobre o Direito à Saúde, Dainius Puras; relator sobre o Direito à Água e ao Saneamento, Léo Heller; presidente do Grupo de Trabalho sobre os Direitos Humanos; Empresas Transnacionais e Privadas; Pavel Sulyandziga.

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