Estudo da OIM cita “deceção e frustração” de iraquianos após vida na Europa

17 agosto 2016

Principais causas de regresso ao país de origem incluem tempo do processo de asilo e falta de meios de sustento; partida do Iraque foi motivada por fatores como falta de segurança, sensação de desigualdade e instabilidade.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.*

Cidadãos do Iraque retornam da Europa para o seu país por causa da longa espera no processamento de pedidos de asilo, da incerteza sobre o resultado e da falta de capacidade para o próprio sustento ou dos familiares no estrangeiro.

A constatação é do relatório Fluxos Migratórios do Iraque para a Europa: Razões por detrás da migração. O documento foi lançado na terça-feira pela Organização Internacional para Migrações, OIM.

Experiência Europeia

Os inquiridos mencionaram ainda a sua “deceção com a experiência europeia e a necessidade inesperada de retorno ao Iraque por causa de eventos familiares trágicos ou excecionais”.

As razões que os levaram a seguir com destino à Europa incluem a “falta de segurança, a perceção de falta de igualdade, de justiça social e de instabilidade política no seu país”.

O estudo envolveu mais de 1,4 mil pessoas que viveram em território europeu desde 2015 mas retornaram ao seu país. A primeira fase da pesquisa foi uma avaliação qualitativa feita há seis meses com 500 participantes.

Razão Secundária

Os inquiridos citaram a instabilidade económica e as preocupações de segurança em Bagdad como razão secundária para deixar a sua terra natal.

O chefe da OIM no Iraque revelou que cerca de 85 mil iraquianos chegaram à Grécia pelo mar no segundo semestre do ano passado.

Necessidades

Lothar Weiss considera essencial entender melhor “a dinâmica e os fatores decisivos para que os migrantes tomem a difícil decisão de sair de casa para melhor atender às suas necessidades no Iraque e nos países de trânsito e acolhimento”.

O objetivo da pesquisa é dar uma resposta global à gestão da migração, em cooperação com o Iraque e os governos anfitriões na Europa.

Além de explorar as razões das escolhas dos imigrantes pela Europa, o documento destaca as suas esperanças, as expectativas e os motivos para o regresso ao país de origem.

O estudo decorreu entre março e abril deste ano na capital iraquiana Bagdad e na região do Curdistão com participantes do programa de Retorno Voluntário Assistido e Reintegração da OIM.

Riscos e Custos

Antes, os migrantes consideravam que a rota para a Europa era “aberta, o que para os migrantes implicava menores riscos e custos”. Os países europeus também eram preferidos por supostamente terem “políticas de imigração favoráveis”.

Entretanto, a maioria dos migrantes relatou que a vida na Europa era apenas um ideal, sendo mais difícil do que esperavam. As principais razões para a deceção e frustração foram a longa duração e a incerteza sobre o processo de pedido de asilo, além das condições de vida que dependem do sistema de receção no país de destino.

*Apresentação: Michelle Alves de Lima.

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