Doença de gado contagiosa comum na África assusta países da Europa
BR

15 agosto 2016

Após aparecer na Turquia, há três anos, dermatite nodular se espalhou rapidamente pelo sudeste da Europa; seis países foram afetados até o momento por vírus que não ataca humanos, mas pode causar grandes perdas econômicas.

Laura Gelbert, da Rádio ONU em Nova York.

Trinta e seis especialistas de 22 países europeus começam nesta segunda-feira um treinamento nos laboratórios da Agência Internacional de Energia Atômica, Aiea, sobre como detectar rapidamente a dermatite nodular, uma doença que  afeta o gado.

A doença é altamente contagiosa e está se espalhando em rebanhos da Europa, após contaminar rebanhos inteiros na África e na Ásia.

Europa

A dermatite nodular, como é conhecida, foi notificada na Turquia em 2013.

Desde então, a doença se espalhou rapidamente pelo sudeste da Europa e foi detectada até o momento em seis países europeus: Grécia, Bulgária, ex-República Iugoslava da Macedônia, Sérvia, Albânia e Montenegro. Novos casos são registrados semanalmente.

Transmissão

O vírus, altamente contagioso, é transmitido através do contato direto com animais infectados e produtos contaminados, além de moscas e carrapatos.

Embora não represente uma ameaça a humanos, a dermatite nodular pode se espalhar entre animais e fazendas, causando grandes perdas econômicas.

Os sintomas da doença são lesões na pele. Nos países afetados, houve impacto sobre a produção de leite, de carne e do couro. Desde 2015, mais de 600 surtos na Europa foram notificados à Organização Mundial da Saúde Animal, OIE.

A crise levou ao abatimento de mais de 10 mil. Segundo o chefe do laboratório conjunto de proteção e saúde animal da Aiea e da Organização das Nações Unidas para Agricutura e Alimentação, FAO, a dermatite nodular “sempre foi considerada exótica na Europa”.

Por isso, de acordo com Giovanni Cattoli, “muitos laboratórios da região não estão preparados para detectar o vírus ou diferenciar suas várias cepas”.

Treinamento

O treinamento de duas semanas está sendo realizado em um laboratório conjunto da Aiea e da FAO em Seibersdorf, na Áustria. As sessões são uma resposta aos pedidos dos Estados-membros por apoio urgente na preparação e controle da doença.

Os participantes, a maioria de países da Europa central e oriental, vão aprender a usar técnicas que podem detectar o vírus em três horas e ajudar a rastrear sua origem e propagação.

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