Moçambique: ex-chefe da ONU Mulheres defende papel feminino para paz

8 agosto 2016

Especialista de Assuntos Políticos considera que atual momento de negociações é crucial e marcado por vários desafios; agências de notícias anunciaram o retorno de sessões entre governo e Renamo com mediadores internacionais.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

A ex-representante da ONU Mulheres em Moçambique encorajou a participação feminina no processo de negociações entre o Governo e o maior partido da oposição, Renamo.

Agências de notícias locais informaram que esta segunda-feira, os mediadores internacionais retomaram as conversas.

Balanço

Valéria de Campos Mello é atualmente analista sénior para Assuntos Políticos para a Divisão África no Departamento de Assuntos Políticos das Nações Unidas.

Numa entrevista à Rádio ONU sobre vários países africanos há duas semanas, a analista comentou a situação em Moçambique.

Mulheres Mediadoras

“Até hoje, fizemos grande progresso a nível conceptual, algum a nível político mas ainda é tímido. Por exemplo, gostaríamos de ver uma agenda de negociações em Moçambique que incluísse temas relativos ao género. Que houvesse mais mulheres mediadoras nesse conflito. Nos casos de mediadoras da ONU temos algumas, mas muito poucas. A grande maioria de mediadores da ONU continua a ser constituída por homens e apoiada por equipes muitas vezes masculinas.”

Valéria de Campos Mello disse que as negociações em Moçambique ocorrem num momento crucial e marcado por vários desafios como a seca e a escassez.

Ela louvou a iniciativa de retorno à mesa de negociações após processos anteriores que tiveram a participação das Nações Unidas para consolidar a paz. Campos Mello voltou a ressaltar que as mulheres devem integrar processos políticos em todas as partes do mundo.

Consolidação da Paz

“Eu acho que existe um imperativo de considerar como o conflito afetou as mulheres, qual foi a sua participação e principalmente qual vai ser a sua participação na consolidação da paz, na reforma das forças de segurança e na participação nos processos políticos. Eu acho que, cada vez mais, está claro que para que um processo de paz seja duradouro, ele tem que ser inclusivo e que não há processo de paz inclusivo sem participação forte das mulheres.”

A especialista disse que as Nações Unidas veem com satisfação o início de conversações moçambicanas, após incidentes envolvendo mortes, abusos de direitos humanos e outros crimes.

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