ONU alerta para impacto da combinação de conflito e surtos no Sudão do Sul

2 agosto 2016

Número de sul-sudaneses nos países vizinhos subiu para 900 mil; doenças incluem cólera, sarampo, malária e malnutrição; centro que trata cólera na capital precisa de pelo menos 100 camas para cuidar dos pacientes.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

A Organização Mundial da Saúde, OMS, alertou esta terça-feira que o Sudão do Sul enfrenta uma combinação de conflito e ameaças para a saúde com os casos de cólera, sarampo e malária.

A informação foi dada no dia em que o Alto Comissariado da ONU para Refugiados, Acnur, anunciou o aumento para o dobro do número de sul-sudaneses que fugiram para o vizinho Uganda nos últimos 10 dias.

Países Vizinhos

Mais de 52 mil pessoas entraram em território ugandês desde o eclodir da violência três semanas. Desde dezembro de 2013, os países vizinhos acolhem cerca de 900 mil sul-sudaneses.

Na nota sobre a situação no país, a OMS confirma 586 casos de cólera e 21 mortes ocorridas até 30 de julho no país. O alto número de óbitos no atual surto é associado a problemas de acesso aos cuidados de saúde.

A maioria dos casos da doença regista-se em Juba, onde são admitidos 35 novos pacientes por dia. Cerca de 30% das unidades de saúde da cidade não funcionam.

Resposta

O Centro de Tratamento de Cólera, instalado no Hospital Escola de Juba, precisa de pelo menos 100 camas para a resposta à doença.

Equipas de resposta rápida investigam novos alertas da doença na capital e em mais quatro cidades. No local de proteção de civis da Missão da ONU no Sudão do Sul, Unmiss, decorre uma campanha para vacinar mais de 14 mil pessoas.

A agência também atua em parceria com o Fundo da ONU para a Infância, Unicef,  e as autoridades de saúde numa campanha de sensibilização que inclui mensagens de rádio.

A OMS forneceu remédios essenciais e suprimentos que incluem kits de equipamento hospitalar com equipamento cirúrgico, tendas e testes para a malária e cólera.

Risco

O risco de propagação de doenças é uma grande preocupação com a chegada das chuvas. Prevê-se um aumento da malária e de doenças transmitidas pela água que levantam receios de aumento das necessidades médicas.

A outra preocupação da OMS é com as necessidades de deslocados na capital, no estado de Wau e noutras áreas do país por causa dos recentes combates entre forças do exército e do Spla na oposição.

Malnutrição

Os  problemas de saúde incluem a “precária situação nutricional” no país, onde cerca de 600 mil crianças com menos de cinco sofrem de desnutrição aguda.

Desde junho o  Sudão do Sul  reportou mais de 3,3 mil casos de malária nos estados de Wau e Bahr El Ghazal. A doença é a que mais leva pacientes aos hospitais.

Desde os meados de julho foram  registados mais de 1,5 mil casos suspeitos de sarampo e pelo menos 17 mortes. A doença foi confirmada em 12 municípios este ano.

Superlotação

A maioria dos pacientes foi diagnosticada em acampamentos de deslocados internos, onde as famílias vivem em condições de superlotação e muitas crianças estão desnutridas.

A OMS recebeu 25% dos US$ 17,5 milhões necessários para intervir com os seus parceiros este ano. Um novo kit contendo materiais para a gestão médica de desnutrição aguda grave em crianças estão a caminho.

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