Mendicidade e exploração sexual marcam tráfico humano na Guiné-Bissau

30 julho 2016

Unicef lamenta falta de centros de acolhimento para crianças repatriadas do Senegal; agência ajuda autoridades do país a lidar com casos suspeitos; fenómeno carece de informações e estudos mais profundos.

Amatijane Candé de Bissau para à Rádio ONU.

A exploração das crianças na mendicidade nos países vizinhos é a forma de tráfico humano mais visível na Guiné-Bissau, segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef.

As situações menos visíveis são de exploração sexual envolvendo meninas e mulheres. A agência destaca que estes casos exigem mais informações e estudos aprofundados.

Tipos de Tráfico

Falando à Rádio ONU, de Bissau, a especialista para a área de Proteção da Criança do Unicef, Sónia Polónio, mencionou relatos de casos de exploração sexual em áreas turísticas. Os dados são, entretanto, escassos.

A agência da ONU treina agentes da ordem e serviços fronteiriços sobre como lidar com casos suspeitos de tráfico. Para a especialista, o resultado do reforço das capacidades foi animador.

Testemunho

Sónia Polónio viveu uma experiencia na fronteira norte entre a Guiné-Bissau e o Senegal.

“Vi uma situação em que a autoridade recusou que um grupo de senhoras passassem com 12 crianças porque só tinham cartão de vacina e estas crianças não tinham outra documentação, tiveram que voltar para a sua tabanca (aldeia) para poderem ter a autorização dos pais para passar”.

Os serviços fronteiriços fazem um levantamento trimestral de situações em que crianças foram intercetadas, tanto no posto obrigatório da fronteira, como nos caminhos clandestinos, indicou ela. Para Polónio, as autoridades são mais informadas para informar às populações.

Centros Especializados

Dados da Associação de Amigos da Criança, Amic, dão conta que 568 crianças em situação de exploração ou tráfico beneficiaram de assistência desde 2011.

A especialista para área de criança do Unicef lamentou a inexistência no país de centros especializados para acolher crianças repatriadas dos países vizinhos.

“Atualmente temos três organizações da sociedade civil que prestam este tipo de apoio: apoio psicossocial, cuidados médicos, assistência a essas crianças, a identificação das suas famílias, encaminhamento as famílias e programas de acompanhamento delas a reintegração familiar.”

Crianças Repatriadas

A agência apoia ações de entidades como a Amic, que dispõe de um Centro de Acolhimento de Crianças Repatriadas em Gabú, região guineense que faz fronteira com o Senegal.

Estimativas indicam que pouco menos de um terço de crianças que vivem nas ruas do Senegal são guineenses.

Uma fonte do Comité de Abandono do Tráfico de Crianças anunciou estar em curso um plano das autoridades senegalesas para repatriar todos os menores nessa situação.

 

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