Angola participa em debate no Conselho de Segurança sobre paz em África

28 julho 2016

Ministro angolano das Relações Exteriores falou à Rádio ONU sobre a questão de ingerências em conflitos no continente; Georges Chikoti disse que apoio pós-conflito não deve favorecer nenhuma das partes envolvidas.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

O ministro das Relações Exteriores de Angola, Georges Chikoti, disse esta quinta-feira que um dos dramas de África é o que chamou de “favorecimento de partes em conflitos” no continente.

As declarações foram feitas à Rádio ONU, em Nova Iorque, à margem de um debate do Conselho de Segurança. A sessão abordou temas como financiamento internacional pós-conflito e o envolvimento nacional na consolidação da paz.

Drama

“Nem todos os conflitos são necessariamente um conflito entre nós. Se olhar para o conflito em Angola e o atual no Sudão do Sul, Riek Machar (vice-presidente do Sudão do Sul) tem apoio de alguns. Se olhar para o currículo político dele, ele tem apoio de algumas pessoas. Se olharmos para outros conflitos em que, no mesmo país, as pessoas têm posições diferentes, você vai ver que há potências coloniais ou pré-coloniais que têm algum engajamento com algum bem. Esse é aparentemente um dos dramas de África.”

O chefe da diplomacia de Angola disse que para consolidar a paz é preciso investir em meios próprios para dar credibilidade a esses processos.

No Conselho, o país preside o Grupo de Trabalho sobre Prevenção e Resolução de Conflitos em África para o qual o diplomata disse que foram úteis vários exemplos do conflito angolano, terminado há 14 anos.

Sacrifício

“Imagina que nós, no primeiro mês, na primeira semana da conclusão dos confrontos militares, Angola gastou US$ 300 milhões para dar garantias às tropas da oposição da Unita que estavam a sair, para lhes dar uma subvenção, uma bolsa para que que as pessoas pudessem acreditar no processo. Não é fácil conseguir garantir isso para mais de cem mil pessoas que estavam a vir das matas, mas nós fizemos o sacrifício. Do ponto de vista internacional ninguém podia dar esses US$ 300 milhões para dar essa assistência a essas populações. Nós fizemos isso no interesse da paz.”

Chikoti falou também do processo no Burundi, sobre o qual declarou que ainda há pontos por acertar no plano de envio de 200 polícias das Nações Unidas.

O diplomata elogiou a cooperação de países que têm contribuído para a força de alerta africana para prevenir conflitos. A China anunciou a oferta de US$ 100 milhões para a iniciativa do continente.

 

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