Agências da ONU lançam ferramenta para ajudar deslocados com combustível
BR

25 julho 2016

Manual foi produzido pela FAO e pelo Acnur; documento oferece nova metodologia que pode ser usadas para abordar questões como acesso a combustível, danos ambientais e conflitos com comunidades locais.

Laura Gelbert, da Rádio ONU em Nova York.

Duas agências das Nações Unidas publicaram um novo manual técnico para ajudar trabalhadores humanitários a abordar diversos problemas relacionados a combustível para cozinhar para refugiados e deslocados.

O documento foi produzido pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, FAO, e pela Agência da ONU para Refugiados, Acnur.

Ferramentas

O manual oferece novas ferramentas e metodologias que podem ser usadas para abordar questões como acesso a combustível, danos ambientais e conflitos com comunidades locais.

Segundo a FAO, número crescente de refugiados e deslocados muitas vezes “coloca pressão em florestas devido ao aumento da demanda por combustível de biomassa”.

A agência adicionou que, sem gestão, esta “maior competição por recursos naturais pode levar a conflitos com as populações locais”.

Milhões de Pessoas

De acordo com o Acnur, até o fim de 2015, mais de 65 milhões de pessoas em todo o mundo estavam deslocadas e muitas estavam vivendo em campos de refugiados ou assentamentos improvisados.

Combustível para cozinhar se tornou, então, um dos recursos mais importantes tanto para os deslocados quanto para as comunidades que os abrigam.

A falta desse recurso se relaciona a diversos problemas: pessoas gastando seus salários ou vendendo suas porções alimentares para comprar combustível; não cozinhando alimentos de forma suficiente ou pulando refeições.

Outra questão seria doenças respiratórias devido ao uso de chamas ou técnicas de cozimento ineficientes. Mulheres refugiadas, particularmente, enfrentam risco de violência e temem por sua segurança ao buscar lenha.

Desmatamento

Além disso, a exploração excessiva de recursos pode levar à degradação florestal ou desmatamento em áreas ao redor dos campos.

O manual contém uma metodologia que os trabalhadores humanitários e administradores dos campos podem usar para abordar tais questões.

Etiópia

Um dos locais onde esta metodologia foi testada foi o campo de Shimelba, na Etiópia. Criado em 2004, o campo abriga atualmente cerca de 6 mil pessoas com acesso muito limitado a recursos naturais.

Os danos coletados podem ser usados para monitorar o consumo de combustível e avaliar tendências, apoiar decisões para impulsionar atividades de reflorestamento ou introduzir o uso de combustíveis alternativos, entre outras medidas.

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